Em seu livro “O PRÍNCIPE”, escrito em 1513 e publicado em 1532, Nicolau Maquiavel já advertia à autoridade em epígrafe que ele perderia determinada batalha justamente porque os “puxa-sacos” que o rodeavam não o deixavam ver após eles.  Como dá pra se notar, os bajuladores, tal qual a barata tem resistido a todas as mudanças, não somente no que tange ao clima, mas e, sobretudo, às tentativas de modernização nos postos de comando ao longo do tempo.
E o babão, peça descartável pelos poderosos sempre que preciso por estes, continua a engrossar fileiras à frente dos atuais poderosos de plantão, amaciando-lhes o ego, servindo de tapume ou até mesmo de viseira, executando tudo que lhe for determinado e o que é pior: aconselhando-os, desde que os conselhos dados não venham de encontro às vaidades pessoais do chefe. Vaidades estas sobejamente conhecidas pelos babões. Como pertence a uma raça que se eterniza, o babão sabe ser conveniente quando necessário, servindo de “pano de chão” para os poderosos até que caiam em desgraça, quando então abrem o jogo, vomitam tudo o que sabem, choramingam, esperneiam, até que encontrem outros a quem possa prestar os seus “relevantes serviços”, a troco, na maioria das vezes, de migalhas e humilhações. Mas, tal qual o “vira latas” que vem granindo aos pés do dono para apanhar, também o sujeito subserviente, agacha-se ante os poderosos, despido de honra e de caráter.
É lamentável como, a exemplo de 1513, quando Maquiavel escreveu o seu best seller, ainda hoje perdure essa raça miserável, que, como cupim, empesteia os órgãos públicos, agarrando-se, com unhas e dentes ao chefe, principalmente se tal chefe for muito vaidoso ou, em alguns casos, um babaca que pensa que é “aquele Roberto Carlos” e, em verdade, não é lá essas coisas. É apenas incompetente.
Há os chefes que precisam do “puxa-saco” para mostrar poder, formar um séquito de lacaios, enquanto outros os aconchega porque são umas “Maria vai com as outras”, sem vontade própria, sem talento para o desempenho do mandato, aparentando a personalidade que não têm, servindo apenas de “tapa buracos”, de lona que cobre a lama fétida deixada por antecessores desonestos, com quem assumiu escusos compromissos.
E nesse imenso Brasil brasileiro, sem mistura de estrangeiro, o que mais vemos, são mandatários que nada mais são do que simples prepostos. Gente que se elege, apenas, para servir de anteparo a administrações anteriores, encobrindo desmandos e chamando para si a responsabilidade por atos que não cometeu, sem imaginar – e para isso se faz necessária a atuação dos babões que os aplaude – que um dia, responderá por tais atos perante a justiça.
Não fossem os babões a encobrir-lhe a visão, quem sabe o babaca não se mancaria e, consciente do papel que lhe delegou o povo, agiria de outro modo, denunciando os culpados, dando nome aos bois e livrando-se assim de punições futuras.
Infelizmente o que vemos hoje Brasil a fora, são administradores eleitos pelo voto popular e que, ao tomarem posse, cercam-se de pessoas indesejáveis para a sociedade, gente abjeta, que somente o que quer é “se arrumar”, se locupletar do erário, não se envergonhando em curvar a espinha, concordar com todas as ordens recebidas, mesmo que estas venham em prejuízo de quem  quer que seja.
Por isso os governos, estão cheios de gente que se aproveita da incapacidade administrativa de certos gestores “bananas” e incompetentes, para aconselha-los a cometer atos que ferem os princípios, até mesmo legais, contrariando normas vigentes, criando situações na tentativa de desviar o foco do que realmente acontece e que o despudor dos mandantes precisa acobertar a fim de cumprir compromissos  escusos assumidos ao arrepio da Lei.
Tentar amordaçar a imprensa amedrontando-a com processos descabidos,  comprar jornalistas e órgão de notícias que gostam do “milho”, ameaçar servidores com perseguições, descumprir mandados judiciais, oferecer propina, fraudar licitações e sonegar informações garantidas por Lei, muitas das vezes provêm do aconselhamento pernicioso do bajulador.
Legislativos comprometidos com o sistema e pouco vigilantes é outro fator que desacredita muitos dos gestores, notadamente em municípios do interior. Igualmente aos babões, os legisladores - com raras exceções -, fecham os olhos e amolecem a cabeça que só balança afirmativamente sobre tudo que emana do Poder Público, não se dando ao trabalho de analisar propostas, as aprovando ao sabor da subserviência, na maioria dos casos custando caro ao contribuinte.
Legislador mal intencionado, assim como o bajulador, é outro problema crônico na administração brasileira. Veja o que acontece no Congresso Nacional e tire suas próprias conclusões.
Mas, como a praga dos indesejáveis babões - tal qual a barata - já existia nos idos de vários séculos, ao tempo de Maquiavel, é bem provável que sobreviva até mais adiante, até que políticos de vergonha, de caráter e cumpridores da ética e da decência apareçam e mudem este estado de coisas. Ou que, na melhor das hipóteses, o nosso eleitor aprenda a votar livremente.
É difícil, mas não impossível.

José Augusto Longo
 publicado no Patosonline