Pensamentos extremistas e negativos em relação ao alimento não só reforçam os gatilhos de culpa e frustração, mas também prejudicam o processo de digestão e metabolização da comida

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Como você encara as delícias de Páscoa? Para você é um momento tenso, cheio de culpa e de comer descontrolado? Ou você consegue aproveitar o momento, comer com equilíbrio e se deliciar?

Caso você tenha respondido sim para a primeira pergunta, fica aqui comigo nesta coluna! Vou trazer para você os benefícios de consumir chocolate, sem culpa e com alegria e, ainda, compartilhar uma prática que pode ajudar a comer com mais controle.

Primeiro, entenda o quão importante é você identificar algum comportamento compulsivo em relação a sua alimentação e procurar ajuda. Não é adequado sentir medo de comer algum alimento, assim como não é legal sentir culpa ou ter descontroles com frequência.

Os chocolates da Páscoa podem, e devem, ser aproveitados, mas com consciência ao comer. Pensamentos extremistas, dicotômicos e negativos em relação ao alimento não só reforçam os gatilhos de culpa e frustração, mas também prejudicam o processo de digestão e metabolização da comida.


Comer o que se gosta, quando se está a fim, é fundamental para manter a saúde mental. Ficar se privando e evitando certos alimentos pode ser o que aumenta a sua compulsão, já que “o proibido é mais gostoso”. Não vou entrar aqui no mérito de como a nossa relação com a comida tem toda uma construção social, mas é importante sabermos que não somos culpadas por pensar assim. Nós aprendemos isso ao longo da nossa vida.

O que é importante, agora, é realmente rever esses conceitos e tentar buscar o equilíbrio e a autoaceitação. Aprender a não descontar na comida as dificuldades em lidar com certos sentimentos e emoções ajuda a comer com mais controle.

Os benefícios do cacau são inúmeros para a saúde, mas encontrados apenas nos chocolates com 70%, ou mais, de cacau na composição. Esses também são ótimas opções para consumir, pois tem pouco, ou quase nada, de gorduras e açúcares. Isso não significa que você não possa escolher outros chocolates, bem pelo contrário. Pode comer o que quiser, sempre lembrando do conceito básico de equilíbrio e parcimônia. 

Não caia na armadilha de comer excessivamente na Páscoa com o pensamento de “amanhã eu me exercito mais pra compensar” ou “amanhã eu entro em dieta”. Isso é um grande “tiro no pé” se você busca mais leveza na relação com os alimentos.

O cacau é bastante rico em flavonóides, que são substâncias com alto poder antioxidante, apresentando benefícios na prevenção de doenças crônicas, no desempenho do exercício físico e no retardamento do envelhecimento celular.

Além disso, pela presença de magnésio e triptofano, o cacau ajuda na melhora do humor por aumentar a produção de serotonina, substância relacionada com a sensação de prazer e bem-estar. Não há provas científicas de que o chocolate vicie. Entretanto, por promover essas sensações,  pode estar relacionado com um comportamento de adição, quando consumido de uma forma descontrolada.

Quanto menos cacau na composição, menor são esses benefícios associados. Mas isso não deve ser um impeditivo para o consumo de qualquer outro tipo de chocolate, principalmente nessa época, em que ele é o protagonista. Caso você não consiga, ainda, ter um controle sobre o seu consumo, eu vou compartilhar hoje uma prática de atenção plena para você fazer antes de comer seu chocolate preferido. E não esqueça: aproveite o feriado!

Meditação do chocolate

Sente-se em lugar confortável e silencioso, onde possa permanecer  por alguns minutos. Coloque-se em uma posição confortável e respire fundo três vezes. Comprometa-se consigo mesma a usar todos os seus sentidos nesse exercício.

Segure um pouco de chocolate em pedaços em suas mãos, comece a desembrulhá-lo lentamente, prestando atenção ao barulho que faz o papel. Observe a cor, o formato, a textura e o brilho. Toque-o com a ponta dos dedos e perceba sua consistência.

Coloque o chocolate sobre a palma da mão. Sinta o peso que ele tem. Recite a si mesmo os adjetivos que lhe aparecem na mente para defini-lo.

Aproxime o chocolate do nariz e inspire profundamente, por duas ou três vezes. Siga o aroma conforme ele percorre o seu nariz. Perceba quais sensações são despertadas quando o cheiro entra por suas narinas. Respire profundamente por alguns momentos.

Leve o chocolate para perto dos lábios. Passe-o pela boca e mentalize qual a sensação ele provoca em você? Perceba que o seu corpo se prepara para comê-lo. Sua boca começa a salivar. Esteja presente nessa sensação.

Coloque o chocolate sobre a língua. Sinta a reação do seu corpo. Leve o chocolate até o céu da boca e perceba qual pensamentos aparecem na sua mente? Com quais palavras você descreve o sabor do chocolate neste momento? Suave? Sensual? Saboroso?

Perceba também os sentimentos, as sensações e as memórias que possam vim à tona.

Algumas delas são negativas? Algumas são positivas? Culpa? Prazer? O que você sente?

Não tente reprimir as sensações. Esteja presente nelas sem julgá-las.

Agora, mastigue o chocolate e perceba o som da sua mandíbula quebrando o chocolate em pequenos pedações. É crocante? Macio?

Sinta o chocolate derretendo e indo em direção à garganta. Imagine-o no estômago.

Nesse momento, esse alimento está irremediável e irreversivelmente incorporado a você, faça mais três respirações e abra os olhos.

Raquel Lupion é formada em Nutrição e Educação Física, tem especialização em Nutrição Clínica e Mestrado em Ciências do Movimento Humano. Sua motivação é promover um estilo de vida saudável, fugindo de radicalismos e tentando encontrar o caminho do meio entre o que é necessário e o que é prazeroso. Na vida profissional, divide seu tempo entre atender em consultório, dar aulas de ioga, palestrar e ministrar cursos. Escreve semanalmente em revistadonna.com.

Com informações de Gaúchazh