Foto ilustrativa da internet

Algo que antes víamos nos livros de história, como a pandemia de gripe espanhola ou a peste negra, hoje nos encontramos em um capítulo que em breve estará registrado em nossos livros. A pandemia de Covid19 traz, para nós, profissionais da saúde, a sensação de estarmos em meio a uma guerra, entre trincheiras, abandonados à própria sorte, exaustos pela luta diária, ao lado de nossos pacientes e a falta de repouso na busca de adquirir novas informações a respeito de uma doença ainda pouco conhecida.

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Nossas casas deixaram de ser lares, a maioria de nós tem saído do conforto para se isolar em hotéis ou outras moradias, na tentativa de preservarmos os nossos familiares da exposição. Mesmo assim, ainda sentimos na pele o que um dia os doentes na época dos leprosários sentiram: o asco e o pânico das pessoas por podermos estar sendo vetores da doença.

O distanciamento é indispensável, sem no entanto perdermos o respeito e a empatia pelos nossos profissionais, que tanto tēm feito com tão pouco. 



Em meio a tantas homenagens, nos chamarem de heróis parece o suficiente, mas não é e nem desejamos ser . Queremos exercer, com dignidade e condições, aquilo que juramos fazer, sem a frustração de vermos o quanto a saúde é abandonada. Enquanto isso,  nossos gestores nos mandam racionar equipamentos de proteção individual, não nos fornecem testes diagnósticos, diminuem a credibilidade da ciência, minimizando a doença e ainda não nos dão nenhum tipo de segurança financeira, se caso adoecermos

O desejo é que tudo isso termine em breve, mas que, acima de tudo, seja uma grande lição. Que a ciência cresça, que nossa saúde melhore, que nossos profissionais sejam mais valorizados e que voltemos a ser humanos uns com os outros, agora e sempre!

* Texto de Dr. Ygor Marcelo Mendes Negreiros, médico residente da Universidade Federal da Paraíba em especialização de Clínica Médica