Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari entre 1991 e 2014, contou que se encontrou com Ayrton Senna em sua residência, em Bolonha, dias antes da morte do piloto brasileiro no GP de San Marino de 1994. E disse que o tricampeão queria defender a escuderia italiana e deixar a Williams “a todo custo”

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No último sábado, Luca di Montezemolo fez o fã da F1 voltar no tempo e relembrar novamente Ayrton Senna. O lendário dirigente italiano, que foi presidente da Ferrari entre 1991 e 2014, assumiu com a missão de levar a escuderia de Maranello ao topo do esporte. E o piloto brasileiro era visto por Montezemolo como a pessoa certa para retomar o caminho da glória na categoria.

Em entrevista à emissora italiana Sky, Montezemolo revelou que se encontrou com Senna em sua residência, em Bolonha — cidade próxima a Ímola — na quarta-feira que antecedeu ao acidente fatal no GP de San Marino de 1994. O ex-mandatário contou que o tricampeão tinha dois desejos: correr pela Ferrari e deixar a Williams.

“Ayrton Senna chegou à minha casa em Bolonha na quarta-feira antes do trágico acidente de Ímola. Ele não apenas me disse que queria correr conosco a todo custo, mas também me disse que queria se livrar da Williams a todo custo”, contou Montezemolo.

Senna, depois de anos vendo o ‘carro de outro planeta’ da Williams dominar a F1, conseguiu o que tanto queria e assinou contrato com a equipe de Woking por dois anos, valendo a partir de 1994. 

Entretanto, diferente das temporadas anteriores, em que a escuderia britânica tinha grande vantagem perante as rivais sobretudo por conta de elementos importantes, como a suspensão ativa, naquele ano a FIA baniu sistemas do tipo, e Ayrton teve muitas dificuldades no início da temporada, principalmente com Michael Schumacher.

A insatisfação de Senna com o FW16 ficou clara desde os primeiros testes. Ao jornalista Flavio Gomes, à época correspondente do jornal ‘Folha de S.Paulo’, o tricampeão disparou: “Bem na minha vez, cagaram no carro”.


A temporada 1994 começou com Senna na pole-position do GP do Brasil diante das arquibancadas lotadas de Interlagos. O brasileiro liderou o começo da corrida, mas foi superado pela Benetton de Schumacher após a troca de pneus e reabastecimento. Na luta para tentar retomar a liderança, Ayrton rodou na Subida da Junção e abandonou a prova. A vitória ficou com o alemão.

Ayrton voltou a marcar a pole em Aida, no Japão, palco do novo GP do Pacífico. Mas a corrida do #2 da Williams durou somente alguns metros, já que Senna foi acertado pela McLaren de Mika Häkkinen pouco antes da primeira curva do traçado. Schumacher venceu de novo e marcou 20 a 0 contra o brasileiro.

Em Ímola, Senna tinha a chance de, na prática, iniciar o campeonato e iniciar sua luta pelo tetracampeonato. Mas a pole do piloto da Williams foi ofuscada diante de um fim de semana trágico com o grave acidente de Rubens Barrichello, da Jordan, na sexta-feira, e da morte de Roland Ratzenberger, piloto da Simtek, no sábado. No domingo, na sétima volta da corrida, Senna bateu com sua Williams na entrada da curva Tamburello e morreu pouco depois. Schumacher venceu a corrida naquele 1º de maio e, no fim do ano, confirmou a conquista do seu primeiro título mundial.

Ao voltar a falar sobre Senna, Montezemolo lastimou pela chance que não teve de contratá-lo para a Ferrari. “Deveríamos ter retomado [as conversas] depois de Ímola. Adoraria tê-lo na equipe”, concluiu.

Com informações Grande Prêmio