Novo ministro da Saúde usou exemplo hipotético para justificar medida, que contrapõe propostas do ex-chefe da pasta

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Alinhado com as ideias do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ministro da saúde Nelson Teich disse que o governo prepara diretriz para reduzir o isolamento social do Brasil em meio ao avanço no novo coronavírus. O novo chefe da pasta usou um exemplo hipotético para defender que não há um "crescimento explosivo" de casos da COVID-19 no país, o que justificaria um relaxamento nas normas de confinamento.

"(Vamos) desenhar uma diretriz que possa dar suporte a estados e cidades para que desenhem seus programas em relação ao isolamento e ao distanciamento", disse Teich, em sua primeira entrevista coletiva como ministro da saúde, na tarde desta quarta-feira, em Brasília.

Em seguida, o chefe da pasta apresentou um exemplo hipotético em que o número de casos da doença no país seria 100 vezes maior do que os números oficiais, que apontam 45.757 infectados. Não há como precisar a quantidade de doentes, já que o índice de testagem no Brasil é baixo.



"A gente hoje tem 43,5 mil casos de coronavírus no Brasil. Se a gente imaginar que pode ter uma margem de erro grande... Digamos que a gente tenha aí 100 vezes (mais casos)... Isso é só um exemplo hipotético. A gente está falando em 4 milhões de pessoas. Nós hoje somos 212 milhões (de brasileiros)", disse.

"Então, fora da COVID tem 208 milhões de pessoas que continuam com suas doenças, com seus problemas e que têm que ter isso tratado. O que representa hoje 4 milhões de pessoas num país como este? Dois por cento da população", argumentou.

Teich, então, disse que é necessário que 70% da população se contamine para que haja a imunização. Esse período, segundo o ministro, duraria entre um ano e um ano e meio.

"Se existe o conceito de que tem que ter 70% da população em contato com a doença para que ela seja imune, e a vacina vai levar talvez um ano, um ano e meio... Entre 2% e 70%, se você não tem um crescimento explosivo da doença, o que não está acontecendo no Brasil, a gente talvez nem chegue nesse número antes da vacina. Isso pode levar um ano, um ano e meio", disse.

"É impossível um país sobreviver um ano, um ano e meio parado. O afastamento é uma medida absolutamente natural e lógica na largada, mas não pode não estar acompanhado de um programa de saída. Isso é o que a gente vai desenhar e vai dar suporte a estados e municípios", completou.

O argumento de Teich contraria a proposta anterior do Ministério da Saúde, então chefiado por Luiz Henrique Mandetta. Demitido na última semana, o então ministro pouco falava da reabertura das atividades comerciais e focava nas medidas de isolamento.

Com informações do Estado de Minas