Flávio Migliaccio morreu sem receber indenização

Após a morte do ator, empresa devedora entrou com pedido de suspensão da ação até que se apresente um sucessor do artista


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Mesmo após sua morte, Flávio Migliaccio, representado por seus familiares, sofrerá com a falta de celeridade da Justiça brasileira. Assim que tiveram acesso à triste notícia, os advogados da Acerp — Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto, sucessora da extinta TVE, entraram com um pedido de suspensão da ação, em curso há 20 anos, até que se apresente um sucessor do artista.

A petição foi feita na 14ª Vara Cível da Capital, onde a processo que Flávio Migliaccio já havia ganhado está em andamento. A sentença determina que o valor da indenização seja apurado através de um perito.

Em entrevista à colunista Fábia Oliveira, o advogado da família Migliaccio, Sylvio Guerra, afirmou que a Acerp “deu uma de ‘urubu na carniça’, meramente para fins procrastinatórios”. Ja que, segundo ele, o processo está com o perito e não depende de nenhum ato das partes ou da juíza, não havendo qualquer necessidade de suspensão. “Comportamento desrespeitoso, desleal, odioso e que tangencia a má-fé processual”, concluiu.



Flávio Migliaccio ganhou o direito de ser indenizado por conta da destruição das fitas de rolo que continham os mais de 400 capítulos da série Tio Maneco, interpretado por ele na TVE. Além da indenização garantida por contrato, que a empresa lutou por 20 anos para não pagar, Migliaccio ganhou na Justiça o direito de receber 50% da obra que foi perdida por causa do desgaste causado pelo tempo. Mas este valor será avaliado pelo perito André Luiz Souza Alvarez, que foi escolhido pela juíza Flavia Gonçalves Moraes Alves, da 14ª Vara.

A Acerp também foi condenada a pagar outra indenização ao ator por danos morais, em virtude de todo o sofrimento que Flávio Migliaccio teve ao tentar resgatar as fitas e perceber que havia perdido toda sua obra. Essa também será calculada pelo perito designado.

Com informações de Metrópoles