Clima de ressaca na Globo depois do áudio de Morrone

Se até ontem era praticamente impossível existir algum lugar mais tenso que o Palácio do Planalto, agora existe. As sedes da Globo em Brasília e no Rio de Janeiro vivem um "climão" misturado com uma "ressaca moral" desde o vazamento do áudio de Giuliana Morrone no intervalo da edição de sexta-feira (8) do Bom Dia Brasil.

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O caos pelos corredores da maior rede de televisão da América Latina foi instaurado ainda na tarde de ontem (11). Poucos minutos depois da Coluna do Leo Dias publicar o áudio em que a âncora do matinal chamava Regina Duarte e Alexandre Garcia de "gagás", o assunto já era comentado em grupos de WhatsApp dos profissionais do Jornalismo.

Em um deles, com a presença de gerentes do setor, houve uma promessa: a de que o funcionário responsável pelo vazamento do áudio seria descoberto pela Globo e "caçado". Nas rodas de conversa, equipes dos noticiários tentavam apontar possíveis culpados ao bel prazer.


Em paralelo a isso, Alexandre Garcia se isolou do mundo. Ele passou a ignorar todos os pedidos de posicionamento feitos por veículos de imprensa, assim como as insistentes tentativas feitas por esta Coluna. Na noite de ontem, após sete horas de espera, ele apenas nos respondeu dizendo que falaria sobre o assunto no YouTube.

Em seu perfil no Twitter, Garcia também falou rapidamente sobre o caso. "Ela falou para uma pessoa,sem intenção de que chegasse a milhões. Mas, como vazou, preciso responder. Imagino que 'gagá' seja preconceito contra os mais vividos; já maledicência não depende de calendário", afirmou.

O assunto também reverberou entre os profissionais de vídeo. Alguns, que não simpatizam com Giuliana Morrone, riram da situação e disseram que se tratava de "justiça divina". Outros, mais polidos, se revoltaram e trataram o caso como uma sabotagem industrial, vestindo a camisa da emissora como nunca antes visto.


Há, porém, uma terceira vertente dos profissionais de vídeo da Globo: as do "eu avisei". Alguns colaboradores mais experientes relembraram que há pouco menos de 3 anos, William Waack foi demitido da emissora após protagonizar um episódio semelhante.

Um destes colaboradores, repórter experiente e que ancora telejornais da rede eventualmente, topou falar com a Coluna do Leo Dias sob a condição de ter sua identidade preservada.

"Em tantos anos no telejornalismo, eu aprendi uma valiosa lição. Jamais falo 'microfonado' ou em frente as câmeras algo que eu não falaria publicamente, em uma palestra, por exemplo. Nunca se sabe todos os nomes que estão tendo acesso aos bastidores", pontuou ele.

No Bom Dia Brasil desta terça-feira, dia 12, era visível o clima diferente. A equipe do telejornal falava apenas o estritamente necessário durante os intervalos comerciais, e isso refletiu no ar. Poucas vezes o telespectador do telejornal se deparou com tantas caras fechadas.

Dentro da Globo, a espécie de caça as bruxas continua. Ninguém tem certeza de como, afinal de contas, a conversa de Giuliana Morrone vazou. Sabe-se, porém, que a bomba vai estourar no colo de alguém, mesmo que o eleito como culpado seja um bode expiatório. A alta cúpula da emissora quer um culpado, custe o que custar. E vai o achar, mesmo que não seja a real solução para que episódios do gênero não se repitam.

*Com colaboração de Gabriel de Oliveira

Da coluna de Léo Dias para UOL