Gafanhotos oferece riscos?

Segundo as autoridades argentinas, a nuvem teve origem no Paraguai e vem atravessando o país desde a semana passada

A nuvem de gafanhotos que se aproxima do Sul do país e pode devastar lavouras no estado do Paraná não oferece risco eminente ao ser humano. O doutor em Zoologia, professor do curso de Ciências Biológicas da Universidade Positivo, Rodolfo Correa de Barros, disse à Banda B, na manhã desta quarta-feira (24/06), que os gafanhotos têm essa característica de se agruparem, principalmente para buscar parceiros para a reprodução.

“Normalmente, eles não ficam isolados em uma área, como são animais voadores, ficam se deslocando. Por ser voraz, o gafanhoto vai comendo tudo aqui que encontra pela frente de origem vegetal, principalmente. Os agricultores é que devem se preocupar com destruições porque o risco para humanos é bem pequeno”, explica o professor.

“Normalmente, eles não ficam isolados em uma área, como são animais voadores, ficam se deslocando. Por ser voraz, o gafanhoto vai comendo tudo aqui que encontra pela frente de origem vegetal, principalmente. Os agricultores é que devem se preocupar com destruições porque o risco para humanos é bem pequeno”, explica o professor.


A espécie detectada pelas imagens é sulamericana e existe desde a década de 60, em regiões como Paraguai e Argentina. “Pode chegar em algumas regiões do Brasil, mas isso depende de uma série de fatores, mas é um fenômeno comum por lá”, completa o especialista.

No entanto, segundo Barros, desastres ambientais, destruições de matas nativas e uso inadequado de agrotóxicos nas plantações podem acentuar essa situação.



Gafanhoto pica ou morde?

A dúvida de muitos internautas diante da repercussão dos vídeos que mostram a nuvem de gafanhotos é se o bicho oferece algum perigo ao ser humano. “Obviamente, todo animal tem seu instinto de defesa, se ele se sentir acoado, vai responder para se livre dessa situação. Ele tem um aparelho bucal que é mastigador, adaptado para comer folha, basicamente, não é um picador como mosquito”, responde o especialista.

“O que posso dizer é que naturalmente ele não vai atacar o ser humano, é um risco muito baixo de ele atacar, não é da natureza dele. Mas, como estamos falando de um número grande do animal, o recomendado é que se mantenham distantes dessa nuvem, deixar passar, enquanto todos ficam com as janelas fechadas, dentro de casa”, alerta o professor.

O que acontece?

Na segunda-feira, dia 22, a autoridades do governo da Argentina informaram que uma nuvem de gafanhotos levantou voo na província de Corrientes e que pode atravessar a fronteira com o Rio Grande do Sul. As imagens dos insetos se espalharam pelas redes sociais.

Em comunicado, o governo da província de Córdoba informou que, em um quilômetro quadrado de nuvem, pode haver cerca de 40 milhões de insetos, com capacidade de consumir em um dia o equivalente ao que duas mil vacas poderiam comer no mesmo período.

Segundo as autoridades argentinas, a nuvem teve origem no Paraguai e vem atravessando o país desde a semana passada, apesar de já terem identificado um grupo de gafanhotos no final de maio. Nesse meio tempo, lavouras de milho foram totalmente destruídas pela praga.

Chega ou não?

Do ponto meteorológico, não há como saber se a nuvem de gafanhotos chega mesmo ao estado do Paraná. Para a meteorologista Ana Beatriz Porto, os ventos do Estado não favorecem a aparição do fenômeno.

“O que podemos observar é que os ventos em superfície aqui no Paraná estão com uma direção do quadrante norte. Não sei dizer se meteorologicamente isso vai influenciar ou impossibilitar que essa nuvem de gafanhotos alcance aqui a região, mas o que podemos dizer, de uma forma em geral, é que os ventos estão no quadrante Norte, estão vindo ao contrário do que estão dizendo os noticiários sobre a nuvem de gafanhoto que seria do quadrante Sul”, finalizou Beatriz.

Plano de ação

Mesmo sem ter certeza sobre a chegada da nuvem de gafanhotos ao país, a ministra da Agricultura, Teresa Cristina, informou que o ministério montou um plano para acompanhar o fenômeno.

Pelo Twitter, Teresa Cristina disse que o governo já monitora a situação. “Montamos já um plano de monitoramento, para acompanhar o deslocamento desses gafanhotos. A gente espera que ele não chegue ao Brasil, mas todas as ações que podem ser tomadas, já tem um grupo de acompanhamento e as ações que podem ser implementadas caso isso aconteça”, afirmou.

De acordo com a Senasa (Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentícia da Argentina), os insetos seguiram na direção sul e devem chegar à província de Entre Rios.

Com informações de Banda B