Lives mais rentáveis

Levantamento feito pelo Metrópoles junto ao PicPay mostrou a quantidade em números de comida arrecadada em lives de axé, pop e sertanejo

As lives com show tomaram as redes sociais desde o começo da pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Porém, mais do que uma forma de entretenimento, as transmissões virtuais tornaram-se uma importante aliada no combate da crise econômica decorrente da paralisação das atividades. Cantores e bandas têm reunidos doações que são revertidas para pessoas carentes. Levantamento do Metrópoles mostra: os 10 shows que mais captaram, entre abril e maio, renderam R$ 4,7 milhões, o suficiente para comprar cerca de 10.195 cestas básicas.

As estatísticas fornecidas pelo aplicativo, principal meio utilizado pelos artistas para arrecada doações, foram analisadas pelo (M)Dados, núcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles. Os números são resultantes das lives que ocorreram entre abril e 9 de maio. O resultado é apenas para as ações feitas pela PicPay, que recebia o dinheiro do público e repassava às instituições.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em março deste ano, quando o levantamento de preços foi suspenso por conta da pandemia, o valor médio da cesta básica era de R$ 470. Desta forma, o dinheiro reunido nas 10 principais lives do PicPay somariam um total de 10.195 cestas básicas.


Cada cesta básica contém 6kg de carne, 15 litros de leite, 4,5kg de feijão, 3kg de arroz, 1,5kg de farinha, 6kg de batata, 9kg de tomate, 6kg de pão francês, 600g de café em pó, 90 unidades de bananas, 3kg de açúcar, 1,5 litro de óleo/banha e 900g de manteiga.

O dinheiro arrecadado nas lives representa 61,17 toneladas de carne, 152 mil litros de leite, 45,87 toneladas de feijão, 15,292 toneladas de farinha, 61,170 toneladas de batata, 91,755 toneladas de tomate, 6,1 toneladas de café em pó, 917.550 unidades de banana, 30,585 toneladas de açúcar, 15.292 litros de óleo e 9,1755 toneladas de manteiga.

Cristianne Alves, head de branding do PicPay, mostra o processo de funcionamento da ação: “As contribuições são transferidas direta e integralmente do doador para a entidade beneficiada, sem qualquer cobrança de taxas pelo PicPay”. Ainda segundo ela, a empresa já apoiou uma média de 80 lives até o momento.

As mais bombadas

A live que mais rendeu dinheiro, na base de dados do PicPay, foi a Amigos, apresentada em 20 de abril, com Leonardo, Zezé di Camargo & Luciano e Chitãozinho & Chororó. Durante a apresentação, que durou quase 4h, os cantores pediam a todo o momento doações do público e explicavam como beneficiar o Hospital do Amor e Amigos do Bem, instituições escolhidas pelos artistas. Ao todo, as celebridades arrecadaram R$ 1,7 milhão, cerca de 3.617 cestas básicas.

“A gente agradece a todos pelo gesto de união e solidariedade nesse momento tão complicado que estamos vivendo. Que Deus abençoe muito vocês”, disse a dupla Chitãozinho & Xororó. “Não temos palavras para agradecer! Que gesto de amor inenarrável! Que coisa mais linda. Vocês não existem. Nosso muito obrigado! Que Deus abençoe grandemente cada um de vocês em nome de nós e dos Amigos”, comemoraram Zezé Di Camargo e Luciano.

A live Amigos é seguida pelas seguintes transmissões: Sandy & Junior (21/04), R$ 1,32 milhão (2.808 cestas básicas); Cabaré (01/05), R$ 405 mil (861 cestas básicas); Ivete Sangalo (25/04), R$ 401 mil (853 cestas básicas); Bell Marques (25/04), R$ 278 mil (591 cestas básicas); Henrique & Juliano (19/04), R$ 252 mil (536 cestas básicas); Luan Santana (26/04), R$ 147 mil (312 cestas básicas); Villa Mix + Guilherme & Santiago (03/05), R$ 120 mil (255 cestas básicas); Marília Mendonça (09/05), R$ 91 mil (193 cestas básica); e Jorge & Mateus (02/05), R$ 78 mil (166 cestas básicas). Juntas, as doações foram divididas entre 15 instituições.

O levantamento revelou que o estilo musical que mais arrecadou dinheiro foi o sertanejo, com R$ 2,7 milhões. O gênero é seguido pelo pop, responsável por R$ 1,3 milhão e, por último, o axé, arrecadando R$ 679 mil – os números levaram em conta as 10 lives que mais receberam doações dos fãs, em abril e maio.

Ajuda

Na live que aconteceu em 21 de abril, Sandy e Junior agradeciam a todo momento a quantidade de doações. “Surreal essa arrecadação… vai valer muito a pena, muita gente tá recebendo ajuda nesse momento. Que a gente nunca perca o hábito de ajudar o próximo”, disse Sandy. “Me faltam palavras para expressar a emoção que senti com o resultado das arrecadações”, comentou Junior Lima.

Para Riezo Silva Almeida, coordenador do curso de Ciências Econômicas do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB), as doações de alimentos em lives-show são significativas para a circulação da economia e garantia de emprego para o setor de agricultura.

“O problema dessa pandemia é que o dinheiro não circula, então quando eu não saio de casa, não vou em um restaurante, por exemplo, o estabelecimento não produz um jantar, logo não contrata, não compra carne. Quando uma empresa compra esses alimentos e esses produtos vão sair de alguém que está produzindo, a cadeia econômica volta a girar. Esse alimento chega à pessoa, logo àquela que precisaria comprar o alimento poderia pagar uma conta e, aí sim, o dinheiro começa a circular”, demonstra Almeida.

Mais uma iniciativa

Outro projeto utilizado para angariar fundos durante as lives é o Fome de Música. De acordo com o balanço atualizado, fornecido pelo Sesc-DF, foram R$ 6.905.636, gerando 1.381.128 quilos de alimentos.

Foram realizadas mais de 100 lives pelo Fome de Música, recebendo doações de pessoas físicas e jurídicas.

Com reportagem de Juliana Barbosa e Rafaela Lima para Metrópoles