Defensora da Ivermectina

Médica vem divulgando vídeos sobre uso do medicamento como método de prevenir a infecção provocada pelo coronavírus ou tratar casos iniciais                 

SAUA médica Lucy Kerr tem se notabilizado pela defesa da ivermectina como uma solução profilática para a epidemia de Covid-19. Uma das videoaulas direcionadas a médicos em seu canal no YouTube possui mais de 1,1 milhão de visualizações. Ela vem se tornando um rosto conhecido do grande público porque seus conselhos estão sendo compartilhados massivamente em grupos de WhatsApp.                     

Lucy Kerr estudou medicina na Universidade de São Paulo (USP) e se especializou em ultrassonografia nos Estados Unidos. Não é infectologista, especialização da medicina responsável pelo tratamento de doenças provocadas por vírus, bactérias e outros micro-organismos. Resolveu ir a público e romper um preceito do código de ética médico – fazer propaganda de remédio ou tratamento sem comprovação científica -, segundo ela própria, para salvar vidas.                          

No Brasil, a ivermectina é conhecida como um remédio para acabar com piolhos e era vendida sem receita médica até a última quinta-feira (23/7), quando a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), por causa de uma corrida da população às farmácias, decidiu incluí-la na lista de medicamentos que exigem prescrição.

Lucy sustenta que o remédio não tem efeitos colaterais significativos e é seguro. O medicamento, segundo ela, favoreceria um retorno a atividades cotidianas, como o trabalho. Mas sem descartar medidas de higiene e comportamento – como uso de máscaras e o distanciamento social, evitando aglomerações. “Essas outras medidas diminuiriam a carga viral que você receberia”, afirma.


Até aqui não há comprovação científica de que a ivermectina funcione para prevenir a Covid-19. Os estudos já realizados são ensaios em laboratórios que indicam algum potencial contra o Sars-CoV-2. A médica diz que receita o medicamento de acordo com o que observou em seus pacientes e com o que aprendeu com um colega da República Dominicana, que tem usado a ivermectina de maneira massiva.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem reiterado que não há, ao menos por enquanto, nenhuma comprovação científica sobre medicações que possam prevenir a Covid-19 ou evitar, se usadas no início dos sintomas, o agravamento do quadro de um paciente.                                    

A seguir, a médica responde às perguntas do Metrópoles:       

A senhora está se notabilizando pela defesa da ivermectina como maneira de prevenir a Covid-19. Como esse antiparasitário age no corpo?

Chamar a ivermectina de droga antiparasitária é uma definição muito pobre. Além de ser antiparasitária, ela é antiviral, antibacteriana e controla o crescimento de muitas células neoplásicas. Ela tem quatro ações lindas e maravilhosas, que não trazem prejuízo para o nosso organismo. Praticamente não tem efeito colateral maléfico como a maioria das outras drogas. Também é uma droga extremamente segura que, em 40 anos de uso, nunca matou um ser humano. Ela foi registrada no Brasil como antiparasitária – as empresas farmacêuticas geralmente registram o que vai ser lucrativo para elas – mas, neste caso, todos os outros efeitos dela foram ignorados.

Como é o efeito dela como antiviral?

De todas as drogas antivirais, é a mais potente. Ela tem um mecanismo de ação contra os vírus que está muito bem elucidado: a ivermectina impede a entrada do material genético do vírus no núcleo da célula. Para nós, é muito importante que o vírus não entre no núcleo para se replicar. Este ano, uma pesquisa mostrou que a ivermectina bloqueia a entrada do vírus ainda na membrana da célula. Eu acredito que isso vai ser estudado por outros trabalhos. A ação antiviral está bem descrita. Existem comprovações científicas de que a ivermectina têm mais de 700 ações antivirais.           

Por que a senhora encarou essa cruzada e como recebe as críticas sobre suas manifestações?

Porque tinha pessoas para serem salvas que ainda não estavam sabendo disso e eu estava. Eu sou médica e tenho obrigação de divulgar isso, tenho obrigação. O que você acha de um médico que fez um juramento, que tem um conhecimento de algo que pode salvar muitas vidas e não passa adiante? Eu sei que tem muitos colegas que não estudaram tanto quanto eu e não chegaram a essa conclusão, mas eu tenho inúmeras comprovações. Eu estou com a verdade e não me importo com os que estão me atacando. 

Como seria essa estratégia de prevenção?

O protocolo de Itajaí (cidade de Santa Catarina que está administrando o remédio de maneira profilática para parte da população) é de uma dosagem para cada 30kg a cada 15 dias. É um protocolo de prevenção. Uma vez que a pessoa está com sintomas, eu estabeleço uma dosagem adequada para cada caso. O bom é que a ivermectina tem um período de ação prolongado, que ainda não foi explicado inteiramente.     



Não seria um risco ficar repetindo este remédio continuamente? Há contraindicações?

Não. As pessoas podem tomar repetidas vezes sem problema nenhum. A droga praticamente não tem efeitos colaterais. É melhor a pessoa ingerir uma droga que tem efeito antiparasitário, antiviral e impede o crescimento de células neoplásicas do que correr o risco de pegar coronavírus. As contraindicações clássicas são gravidez, lactação, crianças menores de cinco anos ou condições de saúde em que haja risco de a droga romper a barreira hematoencefálica (barreira que impede certas substâncias de entrarem no sistema cerebral).           

A ivermectina com indicação profilática daria uma espécie de salvo conduto para as pessoas voltarem às atividades normais?

Seria uma coisa bem favorável, mas é preciso continuar tomando as medidas de higiene, usando máscaras, evitando aglomerações. Mas as pessoas poderiam voltar ao trabalho sim. Uma infecção depende de três coisas: da virulência do micro-organismo, da sua resistência a ele e da carga viral que você recebe. Essas outras medidas diminuiriam a carga viral que você receberia.            



Com informações de Metrópoles