Ministros na delação de Cabral

Os três foram acusados pelo ex-governador do Rio de Janeiro de receber R$ 100 mil por mês por meio de contrato fraudulento                           

Os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas, Vital do Rêgo e Raimundo Carreiro foram citados por Sérgio Cabral em uma delação premiada homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin, segundo a revista Crusoé.                

Os três são acusados pelo ex-governador do Rio de Janeiro de receber R$ 100 mil mensais durante um ano por meio de contrato simulado entre a Fecomércio-RJ e um escritório de advocacia.

Dantas, Vital do Rêgo e Carreiro entraram no TCU com as bênçãos do senador Renan Calheiros (MDB-AL), ex-presidente do Senado Federal. Conheça esse e outros detalhes da biografia dos ministros:

Bruno Dantas


Tomou posse aos 36 anos como o mais jovem ministro do TCU. Ele recebeu indicação de Renan Calheiros (MDB-AL), em 2014, para ocupar a vaga deixada pelo ex-ministro Valmir Campello, que havia se aposentado. Seu nome teve apoio de toda a base governista da então presidente Dilma Rousseff (PT).


Na época, também disputavam o cargo o consultor legislativo Fernando Moutinho (nome da oposição) e o auditor do TCU Sérgio Mendes (que era defendido pelo partido Solidariedade). Os três candidatos foram indicados após o senador Gim Argello (PTB-DF) desistir de se lançar à vaga, devido a resistências da oposição e dos servidores do Tribunal de Contas.                             

Antes de assumir o cargo, Dantas atuava como consultor legislativo do Senado. Concursado, Dantas foi recrutado por Renan para trabalhar exclusivamente para a presidência da Casa.

Já no TCU, ele relatou em 2020 o processo sobre fraudes no auxílio emergencial e, há dois anos, abriu a investigação para apurar se a Operação Lava Jato comprou ilegalmente aparelhos para grampear telefones. Dantas indicou Alexandre Barreto, seu ex-chefe de gabinete, para a presidência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).  Em 2018, dias antes de julgar o decreto do programa de portos do então presidente Michel Temer, seu irmão, que trabalha na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), virou adido auxiliar em Buenos Aires. No período, o assunto tornou-se notícia porque o tempo de carreira do irmão de Dantas não era, em comparação com outros casos, suficiente para justificar a indicação.

O ministro também foi noivo da cantora Vanessa da Matta. Eles se casariam no domingo de Páscoa deste ano. A festa aconteceria em Cuiabá (MT), cidade natal da cantora. A data acabou sendo adiada por conta da pandemia do novo coronavírus, e algumas semanas depois o casal terminou o relacionamento.        

Raimundo Carreiro       

Natural de Salgueiro (PE), o ministro de 72 anos foi secretário-geral da mesa diretora do Senado entre 1995 e 2007. Servidor de carreira da Casa, o nome de Raimundo Carreiro foi uma “opção técnica” para uma disputa entre a Câmara e o Senado que se deu em 2007, no início do segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.    

O então presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), havia defendido o nome do ex-senador Luiz Otávio (MDB-PA). No entanto, Luiz Otávio acabou rejeitado pela Câmara, na época presidida pelo petista Marco Maia (RS). O emedebista era ligado a Jader Barbalho (PA) e pesavam contra ele, ainda, denúncias de corrupção.

A solução, então, foi encontrar um nome de consenso entre as duas casas. Acabou prevalecendo o de Raimundo Carreiro, que teve apoio de Renan e unanimidade dos partidos no Senado. Carreiro chegou a ser investigado na Lava Jato após ter sido citado em delação do dono da UTC, Ricardo Pessoa. Em 2018, o STF arquivou a investigação.              

Carreiro também ganhou destaque nesta semana por um outro motivo: o ministro jogou com fúria o seu celular contra a parede durante sessão da Segunda Câmara do TCU. O vídeo rodou a internet.                       

 


Vital do Rêgo

De uma família de políticos da Paraíba, o ministro foi deputado estadual, federal e senador antes de ir para o TCU. Passou por diversos partidos, como PSB, PST, PDT e MDB. No Senado, presidiu a CPI do Cachoeira. É investigado na Lava Jato por cobrar propina de empreiteiras quando comandou a CPMI da Petrobras. Relatou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015.                                

O nome do ex-senador Vital do Rêgo (MDB-PB) foi defendido para a vaga de ministro do TCU principalmente pelo então presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL).

Na época, em 2014, Renan tinha total ascendência sobre o MDB do Senado. Como o partido representava a maior bancada na Casa, foi fácil conseguir apoio em torno do seu nome para a vaga deixada pelo ministro José Jorge. No mesmo ano, Vital do Rêgo havia concorrido ao governo da Paraíba, em disputa na qual ficou em terceiro lugar.

No rearranjo político pós-eleição, seu nome foi anunciado por Renan, que, com isso, conseguiu emplacar novo integrante do MDB no Senado, Raimundo Lira, suplente de Vital do Rêgo. Na época, o nome de Vital foi o único inscrito para a vaga.

Com reportagem de Olívia Meireles, Lucas Marchesini e Luciana Lima