Por Marcos Nogueira


Todos os dias, humana e mecanicamente, ele para seu veículo e se dirige para o porta- malas. Dali retira sacos de alimentos e tigelas, que servem de pratos. E não é preciso dizer- para os que assistem essa cena- que é para alimentar dezenas de cães de rua, animais que não pediram para nascer e que somente buscam saciar sua fome e sede, assim como ter um pouco de carinho, ofertado, como um pai, por Osvaldo Medeiros.           

E ele o faz longe dos holofotes e do dinheiro. Não quer aplausos e não busca ajuda material. Osvaldo não é abastado, embora tenha o suficiente para viver. E essa atitude, digna dos melhores corações ou dos corações cheios de bondade, que têm Deus como orientador supremo, passou a ser uma de suas razões de viver... um viver pleno dos justos, dos que vão se deitar na certeza do bem cumprido e que não têm remorsos ou pesadelos, no dormir!


O espetáculo de amor recíproco se passa, aos meus olhos, nas imediações do posto Paizão, mas pode ser em qualquer local de Patos. E como seria bom que outros Osvaldos Medeiros existissem em nossa cidade, e que se multiplicassem, como os meninos, da canção de Roberto Carlos, e saíssem por outras cidades, pelo Nordeste, Brasil e mundo afora!            

Aí se poderia se ver que a prática da bondade é salutar, traz consolo à alma e paz ao espírito, e poderia ser usada com mais abrangência para ajudar à população faminta que povoa o mundo. E cada um de nós teria seu próprio mundo, como o Pequeno Príncipe... pequeno, mas o bastante para seus habitantes. Não é necessário uma mesa farta, para poucos talheres. Melhor, pois, repartir o pão, que se multiplica nos casebres. E não foi assim no deserto, com cinco pães!

Enquanto não, vou continuar olhando Osvaldo alimentar seus amiguinhos, todos os dias, até que outros comecem a seguir seu exemplo de extremado amor. Eu fico olhando. Deus, com certeza, fica sorrindo e abençoando!   

Marcos Nogueira é jornalista