Quando vemos um vinho com as palavras Gran Reserva, Reserva ou Reservado inscritas no rótulo, se não conhecemos esses tipos e qualidades de vinhos, podemos ficar na dúvida. Afinal, qual é essa diferença e o que ela faz no vinho?

Bem, para quem não conhece direito a classificação, primeiro é preciso saber que o significado dessas palavras vai depender da legislação do país em que o vinho foi produzido.

A indicação de vinhos como Gran Reserva
e Reserva não é igual para todos os países.

Vamos primeiro para a Espanha, onde um vinho tinto que esteja submetido à legislação em vigor na Rioja, por exemplo, só pode ter em sua classificação o tipo Reserva se for envelhecido no mínimo durante 3 anos, sendo que o primeiro ano deve ser, obrigatoriamente, em barris de carvalho. O Gran Reserva, por seu turno, deve ter um envelhecimento de um mínimo de 5 anos, sendo 2 deles em barris de carvalho. O uso da nomenclatura é fiscalizado e sua aplicação indevida é punido por lei.

Na Itália, o vinho classificado como Riserva é que está no mesmo patamar do vinho espanhol, mas com uma sutil diferença: são 5 anos de envelhecimento, com 3 deles em barris de carvalho.
Os rótulos, desta forma, devem ser entendidos conforme o local de produção, mas não há uma regra que seja comum a todas as origens.

Chile, Brasil e Argentina não possuem legislação para classificar os vinhos
Nos países em que não existe uma legislação pertinente, como o Chile, o Brasil e a Argentina, os termos Reserva, Reservado e Gran Reserva são aplicados a critério exclusivo do produtor, tendo valor meramente comercial, sem obedecer a regras legais.


O vinho considerado como Reservado pode ser comum,
sem qualquer tratamento especial.

Assim, é preciso ter atenção aos critérios de cada vinícola e ficar atento a sua reputação pois o tratamento dado a um vinho “Reserva” por um certo produtor, no que se refere ao uso de barricas e tempo de estágio em adega pode ser completamente diferente de outro na mesma região. Uma vinícola pode colocar o termo Reserva de Família, ou mesmo Reserva Especial, classificando um vinho cuja produção é totalmente diferente dentre as demais de sua marca sem que isso seja objeto de uma norma administrativa ou legal.

Como regra geral, podemos nos orientar pelo fato de que os termos Reservado, Reserva e Gran Reserva, quando observado para uma mesma marca, costumam indicar que há uma escala crescente de qualidade, tanto nas uvas selecionadas como no tempo de estágio em madeira e guarda na adega antes de levado ao mercado.

Um vinho classificado como Gran Reserva normalmente será oriundo das melhores uvas de seu produtor e passará por barricas por um período mais longo, em torno de 10 a 18 meses. Já os vinhos Reserva costumam ter também contato com madeira, podendo ser em barricas ou não, por um tempo menor, talvez 2 a 8 meses.

Os vinhos classificados como Reservado podem ser os mais baratos, já que são vinhos frutados, que não passam por nenhum tipo de tratamento especial, sendo produzidos em grande escola e que estão prontos para o consumo.

Se não conhecer o vinho, procure degustar antes de comprar.

Nessa ordem de classificação, quando compramos um vinho Reserva, Reserva Especial e Gran Reserva, em geral estamos realmente comprando um vinho de qualidade, produzido segundo os critérios mais avançados e trazendo os sabores e aromas mais complexos. No entanto, quando se trata do vinho Reservado, podemos estar apenas atendendo ao apelo de marketing, se não soubermos exatamente como foi produzido.

Nessas condições, o melhor que temos a fazer é apreciar, degustar o vinho, se possível, antes de sua compra. Pelo menos estaremos cientes de sua qualidade, de seu aroma, do seu sabor e teremos apreciado um vinho com um título que realmente merece levar no rótulo.

Com informações de Clube dos vinhos