Getty Images

Entre as causas mais comuns para acidentes vasculares cerebrais, estão alimentação desregrada, pressão alta, aneurisma e pancadas na cabeça

O acidente vascular cerebral, também conhecido como AVC ou derrame cerebral, é a interrupção do fluxo de sangue para alguma região do cérebro. O fenômeno é dividido em dois tipos: o AVC isquêmico, causado por acúmulo de placas de gordura ou formação de coágulo, ou AVC hemorrágico, que acontece depois de um sangramento por pressão alta ou ruptura de aneurisma – como aconteceu com Tom Veiga, intérprete do personagem Louro José, no programa Mais Você.

O AVC também pode acontecer em pessoas com casos graves de Covid-19, sobretudo em pacientes jovens. A infecção é responsável pela criação de coágulos no sangue que podem chegar até o cérebro e causar o derrame.

As sequelas decorrentes do acidente dependem da gravidade da lesão cerebral, sendo comum ficar com fraqueza em um lado do corpo ou apresentar dificuldade na fala, por exemplo. Por isso, é importante focar em terapias de reabilitação e, sobretudo, em tratamento adequado.


Causas do AVC isquêmico:

O AVC isquêmico é causado pela obstrução de algum vaso que leva sangue ao cérebro. Na maioria das vezes, acontece em pessoas acima dos 50 anos – entretanto, também pode acometer jovens. O acidente pode acontecer por causa de:

1. Tabagismo e má alimentação

Hábitos de vida como o tabagismo, o consumo de alimentos ricos em gorduras, frituras, sal, carboidratos e açúcares aumentam o risco de desenvolver o acúmulo de placas de gordura (aterosclerose) nos vasos sanguíneos do cérebro e em vasos importantes para a circulação cerebral. Quando isso acontece, o sangue não consegue passar e as células da região afetada começam a morrer por falta de oxigênio.

Como evitar: adotar alimentação mais saudável, com dieta rica em vegetais, frutas e carne magra, além de praticar atividade física pelo menos três vezes na semana e não fumar.

2. Pressão alta, colesterol e diabetes

Doenças como pressão alta, colesterol, triglicerídeos altos, obesidade ou diabetes são os maiores fatores de risco para a formação de acúmulo de placas de gordura, assim como para o desenvolvimento de inflamações nos vasos sanguíneos e de problemas cardíacos.

Como evitar: controlar adequadamente essas doenças, com o tratamento indicado pelo médico, e adotar hábitos de vida saudáveis para diminuir seus efeitos negativos sobre o corpo.

3. Defeitos no coração ou nos vasos sanguíneos

Alterações no coração, como arritmia, dilatação ou variações no funcionamento do músculo cardíaco ou de suas válvulas, assim como a presença de um tumor ou calcificação, contribuem para a formação de coágulos, que podem chegar ao cérebro pela corrente sanguínea.

Como evitar: essas alterações podem ser detectadas em consultas de rotina, e o tratamento pode incluir medicamentos anticoagulantes.

4. Uso de drogas ilícitas

O uso de drogas ilícitas, principalmente de forma injetável, como heroína, por exemplo, favorece aparecimento de lesão e espasmos nos vasos sanguíneos, o que pode contribuir para a formação de coágulos e, consequentemente, o AVC.

Como evitar: nesses casos, o recomendado é buscar ajuda de um centro especializado em drogas para que seja feito o processo de desintoxicação. Com isso, as chances de AVC são reduzidas.

5. Outras causas

Doenças que causam maior coagulação do sangue, como lúpus, anemia falciforme ou trombofilias, por exemplo, e condições que inflamam os vasos sanguíneos, como vasculites ou espasmos cerebrais, podem impedir o fluxo de sangue.

O tratamento em uma situação de AVC, independentemente da causa, deve ser iniciado o quanto antes – já na emergência, com uso de medicamentos para auxiliar o retorno do fluxo de sangue e o controle da pressão arterial, bem como dos dados vitais.

Causas do AVC hemorrágico

O derrame cerebral hemorrágico acontece quando há sangramento dentro do cérebro ou nas meninges, películas que envolvem o cérebro. Esse tipo de AVC pode acontecer tanto em idosos quanto em jovens, e as principais causas são:

1. Pressão alta

A pressão muito elevada pode romper algum dos vasos do cérebro, sendo essa a principal causa do AVC hemorrágico. Geralmente, acontece em pessoas que têm picos de pressão muito alta e não fazem tratamento da hipertensão.

Como evitar: é necessário verificar se o paciente tem pressão alta e, em caso de confirmação, fazer tratamento e controle adequados da doença, prevenindo seus efeitos no corpo.

2. Pancada na cabeça

O traumatismo cranioencefálico, que pode acontecer em acidentes de trânsito, é uma das causas de AVC, pois pode provocar sangramento dentro e ao redor do cérebro, sendo uma situação muito grave e que põe em risco a vida da pessoa.

Como evitar: é importante sempre se preocupar com a segurança em diferentes situações, como o uso de cinto de segurança no carro e a utilização de equipamentos de proteção individual no trabalho, por exemplo.

3. Aneurisma cerebral

A presença de aneurisma ou outras malformações de vasos sanguíneos dentro do cérebro amplia o risco de ruptura e hemorragia, principalmente quando o tamanho da lesão aumenta com o tempo.

Como evitar: esse tipo de alteração é mais comumente descoberta de forma acidental, quando exames de tomografia ou ressonância magnética são feitos por outras causas. Entretanto, pode-se desconfiar de um aneurisma diante de sintomas como dor de cabeça frequente – e que piora gradativamente –, crises convulsivas, fraqueza e formigamento de alguma parte do corpo.

4. Uso de anticoagulantes

Os remédios anticoagulantes são muito importantes em diversas doenças, como arritmias, trombose ou problemas nas válvulas do coração, por exemplo. Porém, se usados da forma errada, ou se a pessoa não tiver alguns cuidados, podem aumentar o risco de sangramentos, inclusive dentro do cérebro.

Como evitar: fazer o acompanhamento médico regular para controle da coagulação do sangue. Ficar atento a situações de risco, como pancadas.

5. Outras causas

Outras causas menos comuns para o AVC hemorrágico podem incluir enfermidades que dificultam a coagulação do sangue; inflamações dos pequenos vasos cerebrais; doenças degenerativas do cérebro, como Alzheimer; uso de drogas ilícitas; e tumor cerebral, que aumenta o risco de sangramentos.

O AVC hemorrágico também deve ser tratado o mais rapidamente possível, já no pronto-socorro, com o controle dos dados vitais, e, se necessário, com a realização de cirurgia.

O AVC tem cura?

O derrame cerebral não tem cura – entretanto, pode ser prevenido em grande parte dos casos. Quando acontece, é aconselhável investir em tratamentos para melhora do quadro e na reabilitação, a fim de diminuir as sequelas.

Além disso, é possível que o corpo se recupere de boa parte, ou totalmente, dos sintomas e das dificuldades que surgem com o AVC. O acompanhamento por um neurologista é essencial. O processo de reabilitação deve contemplar:

* fisioterapia, que ajuda a recuperar a parte motora e a desenvolver os movimentos;

* terapia ocupacional, que estimula preparação de estratégias para diminuir efeitos das sequelas do AVC no dia a dia, adaptações de ambiente e utensílios, além de atividades para melhorar o raciocínio e os movimentos;

* atividade física, que, feita sob orientação profissional, contribui para o fortalecimento dos músculos, bem como para a independência, o equilíbrio e o bem-estar do paciente;

* orientação nutricional, que auxilia na preparação dos alimentos – fornecendo informações sobre quantidade, tipo e consistência ideal;

* fonoaudiologia, que visa dar suporte a pacientes com dificuldade para deglutir os alimentos ou de se comunicar.

Dessa forma, mesmo que as sequelas do AVC não diminuam ou tampouco desapareçam, é possível melhorar a qualidade de vida da pessoa que convive com essa situação. (Com informações do portal Tua Saúde)

Com informações de Metrópoles