Foto: Reprodução Pânico

Em entrevista ao Pânico, Antônio Barra Torres esclareceu os protocolos sobre aprovação de vacinas e prazos para início da imunização; João Doria anunciou que Estado de SP inicia vacinação em 25 de janeiro

Em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 7, Antônio Barra Torres, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), afirmou que “nenhuma das quatro vacinas em desenvolvimento no Brasil apresentou protocolos de registro”. Desta forma, Torres destacou que nenhum dos imunizantes contra a Covid-19 possui o aval para uso amplo até este momento. Entre as vacinas com estudos clínicos aprovados pela Anvisa estão a de Oxford – produzida pelo laboratório AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, a Sinovac – desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, a BioNTech e Wyeth/Pfizer e a vacina Jansen-Cilag – criada pela divisão farmacêutica da Johnson-Johnson. “Nenhuma das quatro deu entrada em documentos de registro, por isso não temos sequer os protocolos para serem analisados. Antes de verificarmos estes protocolos de registro, precisamos acessar os documentos dos estudos clínicos referentes à fase 3 dos testes. No entanto, estes estudos ainda não se encerraram. Para efetuarmos o registro de vacina contra o coronavírus, demandamos no mínimo 60 dias para analisarmos os documentos”.


O presidente da agência reguladora ainda reiterou a necessidade de um processo rigoroso para a aprovação dos medicamentos. “Não é possível brincar nesta hora, estamos falando de uma coisa muito séria. Tratamos de atestar a uma mãe, a um pai, esposo ou esposa que podem usar as vacinas com a certeza de qualidade, segurança e eficácia. Por isso, encaramos o assunto com toda a seriedade que ele demanda”, disse.

Mesmo sem previsão do registro da CoronaVac pela Anvisa, o governo de São Paulo anunciou nesta segunda-feira o plano de vacinação contra a Covid-19. Durante o comunicado, o governador João Doria afirmou que o início da imunização acontecerá em 25 de janeiro. Segundo ele, será feito um pedido de aprovação emergencial à agência para que profissionais da saúde, indígenas e quilombolas do estado recebam a dose do medicamento ainda no primeiro mês de 2021. Sobre o anúncio de Doria, o presidente da Anvisa esclareceu que “ainda não é o momento de estipular prazos”. “Na última semana, sinalizamos que a Anvisa está aberta para analisar pedidos de uso emergencial dos imunizantes, mas até o momento não recebemos nenhuma solicitação oficial por parte dos laboratórios. Os que se interessarem, podem solicitar o uso emergencial a qualquer momento. A partir de então, buscaremos fazer uma análise bem feita e no menor tempo possível. No entanto, não fixamos um mês ou dia de aprovação. Para as autoridades que assim fazem, desejo boa sorte. Enquanto isso, continuaremos trabalhando com o mundo real, o mundo científico. Se for possível, a vacinação será antecipada. Se não, também será pelo bem da sociedade. A imunização virá no menor e melhor tempo possível, mas não há condições de apontar um dia ou um mês”.

Na visão de Torres, as vacinas devem ser comercializadas e inclusas no Programa Nacional de Imunização ainda no primeiro semestre de 2021. “Apesar da previsão, não vou criar expectativa na população que já está tão sofrida com a pandemia com as notícias conflitantes. É terrível criar uma expectativa que pode não se concretizar. Preciso deixar claro que o processo de aprovação e registro dos imunizantes são dinâmicos, ou seja, podem ocorrer interferências e problemas capazes de mudar todo o calendário. Poderemos ter a grata alegria de, logo na virada do ano, termos uma possibilidade concreta de distribuição da vacina ou de, ainda em 2020, aprovarmos o uso emergencial. Essas hipóteses podem acontecer, mas não devemos colocar prazos”, concluiu.

Confira a entrevista com Antônio Barra Torres, o presidente da Anvisa:


Com informações da Jovem Pan