Foto: Antônio Augusto/Secom/PGR

Pedido de abertura de inquérito partiu do deputado federal Paulo Teixeira, do Partido dos Trabalhadores de São Paulo

O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que investigue a contratação do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro para o cargo de diretor-geral de investigações na filial brasileira da Alvarez & Marsal, com sede nos Estados Unidos.

A companhia norte-americana presta serviços de consultoria para recuperação de outras empresas. Entre as clientes da Alvarez & Marsal está a Odebrecht, investigada por Moro na Operação Lava Jato.

Em seu Twitter, o parlamentar questionou a relação que o ex-juiz terá com uma empresa que investigou. Teixeira pede a abertura de inquérito para apurar “eventual prática de corrupção por Sérgio Moro”.


Pedi abertura de inquérito para investigar eventual prática de corrupção por Sérgio Moro. Depois de fazer um acordo generoso com os executivos da Odebrecht, Sérgio Moro foi contratado a preço de ouro pela empresa que está fazendo a recuperação judicial da Odebrecht.






A reportagem tenta contato com a PGR para comentar o pedido do parlamentar. O espaço está aberto. 

Contratação

A contratação foi anunciada durante o fim de semana. Moro trabalhará no setor de Disputas, Investigações e Compliance da empresa. A contratação ocorre sete meses após ele deixar o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).


O ex-magistrado assumiu seu novo emprego já nesta terça-feira (1º/12). Apesar de a filial brasileira ser localizada em São Paulo, Moro trabalhará em Curitiba. Ele também terá que viajar para Nova York, quando necessário.


Entre as áreas de atuação, Moro trabalhará com investigação de crimes corporativos, apuração de irregularidades tributárias, elaboração de contratos de concessão e resolução de conflitos societários de empresas privadas.


A Alvarez & Marsal tem, entre os clientes, empresas citadas na Operação Lava Jato. O relacionamento do ex-magistrado com a força-tarefa, contudo, não foi visto como empecilho em sua contratação.

Saída

Sergio Moro deixou o cargo no governo de Bolsonaro em abril deste ano. Na ocasião, em entrevista coletiva, o ex-juiz acusou o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal ao exonerar, sem o seu conhecimento, o diretor-geral Maurício Valeixo.


A saída de Moro do governo provocou atritos entre o ex-juiz e o presidente Jair Bolsonaro. Foi aberto inquérito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar as acusações feitas pelo ex-chefe do MJSP.


O pedido partiu da Procuradoria-Geral da República e foi acolhido pelo então ministro Celso de Mello, que se aposentou da Corte em outubro. O inquérito segue em tramitação no STF.

Com informações de Metrópoles