Imagem: Ada Yokota  

O infectologista do Hospital Brasília, André Bon, explica quais são os cuidados necessários na volta para casa

As comemorações pela chegada de 2021 e o recesso de fim de ano levaram muitos brasileiros a se aglomerarem nos últimos dias. Várias pessoas viajaram para encontrar a família e os amigos e acabaram não seguindo as normas de segurança recomendadas pelas autoridades de saúde pública para conter a transmissão da Covid-19.


A infectologista da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, alertou nessa quarta-feira (6/1) que a transmissão da Covid-19 aumentará nos próximos meses devido aos encontros que ocorreram neste período.

Quem viajou deve ter a responsabilidade de voltar para casa consciente de que se expôs à contaminação e manter alguns cuidados para evitar novos focos de contaminação. O infectologista do Hospital Brasília, André Bon, explica que viajar em si não representa um fator de risco, mas sim o comportamento que as pessoas adotaram durante o passeio.

“Pessoas que se aglomeraram e não seguiram as medidas de precaução como o uso da máscara, o distanciamento e a higienização das mãos têm que tomar mais cuidado no momento do retorno porque estão sob risco”, afirma. “A questão é que quem faz isso em outros lugares, faz aqui também”, completa.

O médico esclarece algumas dúvidas:

Vale a pena fazer um teste na volta da viagem?

Os viajantes têm recorrido a este recurso para voltar para casa com mais tranquilidade. No entanto, a estratégia não é recomendada porque o resultado negativo pode criar uma falsa sensação de segurança.

Além de aumentar a demanda dos laboratórios de testagem, exames feitos na véspera da viagem de retorno ou na chegada não garantem que o turista está saudável.

“Testar assintomáticos não têm nenhum benefício dado que essa pessoa não sabe em que momento foi exposta (ao vírus). Um teste negativo não quer dizer que ela não positivaria no dia seguinte”, esclarece o infectologista do Hospital Brasília.

Que cuidados devem ser tomados no retorno?

Pessoas que se aglomeraram devem voltar a seguir as medidas de prevenção e ficar atentas aos sinais da Covid-19, como o aparecimento de sintomas de doença respiratória – febre, tosse, coriza, dor no corpo e outros.

“O ideal é que ninguém se aglomere mas, se por algum motivo, isso aconteceu, é necessário ser ainda mais prudente e atento nas medidas de prevenção”, pontua o médico.

O isolamento é necessário?

De acordo com o infectologista, pessoas sem sintomas não precisam se isolar. “Não faz sentido alguém que está vindo de fora ficar de quarentena em casa estando assintomático porque nós já temos a transmissão local do vírus há muito tempo”, pondera Bon.

A recomendação só é feita para quem teve contato com uma pessoa sabidamente contaminada. Neste caso, todos os contatos devem ficar em isolamento por 14 dias.

Quem viajou pode retomar a rotina?

“Quem volta de viagem não está proibido de ir ao supermercado de forma adequada – usando máscara, higienizando as mãos e mantendo o distanciamento das pessoas –, assim como ninguém está”, afirma André Bon. No entanto, ao sinal de sintomas, é necessário fazer a investigação adequada para checar se houve contaminação.

Teve sintomas dias depois? Saiba o que fazer

Pessoas com sintomas devem se isolar imediatamente e fazer um teste para confirmação da Covid-19. Caso a doença seja confirmada, ela precisa avisar todos os contactantes relevantes – as pessoas com quem esteve durante o período imediatamente anterior ao diagnóstico.

Além dos moradores da mesma casa, entram neste grupo todas as pessoas com que o infectado teve contato por mais de 15 minutos a menos de 1,5 metro de distância e sem a utilização de máscara. Elas devem entrar em isolamento por 14 dias e observar o aparecimento de sintomas.

Reportagem de Bethânia Nunes para Metrópoles