Por Luiz Carlos Soares

Baseado na fábula Alvoroço de festa no céu, da escritora Clarice Lispector (Editora Nova Fronteira).

A fábula no traz um relato sobre uma festa acontecida no céu, onde apenas os “bichos de asa” tinham direito a participar. O beija-flor foi escolhido para organizar a entrega dos convites, porém tomou a decisão de deixar os convites num canteiro de vitórias-régias, local de maior movimentação na floresta. O bicho que ia passando via o seu nome no envelope e pulava de alegria, a notícia se espalhou pela floresta.

O sapo foi o primeiro a protestar que era uma injustiça, se tratava de uma discriminação. Os animais de terra estavam conformados, o sapo não! Passou a reclamar e não se conformava com a ideia de não ir à festa no céu. Mas, foi num final de tarde que o sapo gritou, eu também vou! Os pássaros caçoaram e perguntaram: Cadê tuas asas, bicho feio?


Não conformado o sapo tomou a decisão de consultar um sapo mais velho, ao encontrar o sapo velho, o mesmo pediu que desistisse da ideia de tentar ir à festa, aconselhando-o a não sair do chão. O sapo contou o motivo que o levaria à festa, era simplesmente, dançar lá no céu. Pediu segredo ao sapo velho e foi procurar o urubu para tentar convencê-lo a viajar dentro do violão.

No dia da festa, o sapo viu o urubu, de violão debaixo da asa pronto para voar, foi quando teve a ideia de falar para o urubu que tinha alguém do outro lado da esquina o procurando; foi nesse exato momento que o sapo entrou no violão. Ao voltar da esquina não encontrou o sapo e resolveu seguir viagem, o sapo bem quietinho dentro do violão, chegou ao céu e mais do que depressa pulou para fora e começou a dançar todo feliz da vida.

Todos os participantes da festa estavam admirados, perguntaram ao sapo como havia chegado, de forma arrogante; respondeu que a alma do negócio é o segredo. Antes mesmo do final da festa, o sapo para garantir a volta para casa resolveu entrar novamente no violão; mas o urubu percebeu que dentro do violão estava o sapo, ameaçou jogá-lo do alto para se arrebentar ao solo.

O sapo usando da esperteza pediu para ser jogado em uma pedra grande no meio do lago e, que não o jogasse diretamente no lago, pois não sabia nadar e iria morrer afogado. O urubu ingênuo direcionou a queda do sapo para o lago, o sapo feliz da vida ao cair no lago salvou-se.

Moral da história:

O brasileiro vem engolindo sapo, estamos dando “asa” a uma legião de políticos oportunistas, mentirosos, corruptos e covardes. Estamos abrindo a porta do céu da boa vontade, para muitos parasitas usufruírem da benesse do poder.

Diferente da fábula Alvoroço de festa no céu, onde um sapo mesmo sem asa usou da esperteza e foi à festa no céu dentro do violão do urubu; estamos levando inúmeros políticos ao paraíso através do voto obrigatório, dando-lhes imunidade parlamentar, fórum privilegiado, patrocinando a eleição dos mesmos através do fundo partidário.

Elegemos e reelegemos muitos políticos (sapo), tem os olhos grandes, andam pulando de partido em partido e tem língua enorme, usada para mentir e buscar o voto dos eleitores. "O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado.”

Luiz Carlos Soares
Cientista Político