Aos poucos, grandes estudos científicos começam a demonstrar resultado para melhorar o tratamento de pacientes hospitalizados com Covid-19. Um deles demonstrou que o anti-inflamatório chamado tocilizumabe tem o potencial de reduzir de forma significativa as mortes e tempo de internação de pacientes.

Por ter ação imunossupressora, o medicamento é útil nas etapas mais avançadas da doença em que o problema vira a resposta imunológica exagerada do organismo, e não necessariamente mais a ação viral. No entanto, em casos leves, ele pode ter o efeito oposto, impedindo o corpo de combater o vírus em suas fases iniciais, então ele sua recomendação é EXCLUSIVA para quem precisa de hospitalização.


O medicamento foi estudado como parte do programa Recovery, conduzido pela Universidade de Oxford para testar o reposicionamento de fármacos contra a Covid-19. O tocilizumabe, utilizado no tratamento da artrite reumatoide, foi adicionado ao programa em abril do ano passado e os resultados dos ensaios clínicos foram anunciados nesta quinta-feira (11). O estudo completo deve ser divulgado em breve em formato de pré-print com expectativa de publicação em revista científica médica em breve após revisão.

Ao todo, foram pouco mais de 4,1 mil pacientes hospitalizados envolvidos no estudo, com 2.022 tratados com tocilizumabe intravenoso e 2.094 que receberam o tratamento padrão. Entre quem recebeu a droga, houve 596 mortes em 28 dias; já entre quem não recebeu, o volume de óbitos foi de 694. A diferença absoluta de 4% na redução da mortalidade indicaria, segundo o comunicado, o que indicaria que, a cada 25 pacientes tratados com o remédio, uma vida adicional que seria perdida sem o seu uso é salva.

O medicamento também demonstrou benefício aumentando as chances de o paciente receber alta com vida após 28 dias, de 47% para 54%. Também foi observada uma redução das chances de um paciente que não precisava de ventilação invasiva ver sua condição se degradar a ponto de o procedimento ser necessário: de 38%, caiu para 33%.

Os resultados foram obtidos com boa parte dos participantes, mais especificamente 82%, foram tratados com o esteroide dexametasona, que já havia demonstrado capacidade de reduzir em a mortalidade dos pacientes no ano passado, então o efeito demonstrado do tocilizumabe seria cumulativo.

A conclusão dos cientistas é de que os dados suportam a utilização do tocilizumabe em pacientes com hipóxia e inflamação. Em conjunto com esteroides como a dexametasona, a mortalidade pode ser de cerca de 33% para os pacientes que precisam apenas de oxigênio e até metade para quem precisa de ventilação mecânica.

Com informações do Olhar Digital