Ministro Gilmar Mendes fez críticas à 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba

Maioria declarou o ex-juiz parcial nos casos que envolvem o ex-presidente Lula, inclusive Cármen Lúcia, que mudou seu entendimento nesta terça-feira, 23

O julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro no Supremo Tribunal Federal (STF) sofreu uma reviravolta após leitura do voto da ministra Cármen Lúcia, que tinha se posicionado a favor de Moro em 2018, mas mudou seu entendimento nesta terça-feira, 23. 

Com isso, a maioria declarou o ex-magistrado parcial nos casos que envolvem o ex-presidente Lula. 

O ministro Nunes Marques, que havia pedido vista durante o empate do julgamento, votou contra a suspeição e condenou em sua fala o uso das mensagens roubadas, considerando-as como uma “janela para a república hackeada”. 

Após o voto de Nunes Marques, Gilmar Mendes pediu a palavra para reler parte do seu. Ele ressaltou que a Operação Spoofing e as matérias jornalísticas relacionadas ao vazamento das mensagens não estão nos autos do julgamento da suspeição de Moro, pediu que os ministros “não ficassem com conversa fiada” e fez críticas à 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba. “Algum dos senhores aqui compraria um carro do Moro um carro do Dallagnol? São pessoas tidas como probas? Não importa o resultado desse julgamento. A desmoralização da Justiça já está feita”, disse.


O comentarista do programa “Os Pingos Nos Is”, da Jovem Pan, Augusto Nunes, afirmou que se decepcionou com Cármen Lúcia e acredita que ela sabe que tomou uma “decisão imoral” agindo sob influência do ministro Gilmar Mendes. 

“Hoje é um dia triste para a Justiça brasileira. Não digo para o STF, que é uma instituição, mas para o bando liderado por Gilmar Mendes que acaba de incluir, lamentavelmente, a ministra Cármen Lúcia.” Ele disse que não se surpreendeu com a mudança de voto da ministra porque, segundo fontes dele, o ministro Mendes teria se gabado, em uma série de eventos, que fez estratégias para cooptar a decisão dela. “Eu lamento muito, porque Cármen Lúcia me pareceu diferente. Quando presidiu o Supremo teve atitudes corretas.”

Augusto lembrou que a movimentação feita por Mendes anulou sentenças referendadas por três desembargadores do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre e por ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

“Todos que votaram pela suspeição de Moro votaram com base em um material ilegal, hackeado, consideraram provas ilegais em um processo, e todos se basearam nisso. (….) Eu compraria um carro usado do Dallagnol ou do Moro, não compraria uma bicicleta, um patinete usado, do Gilmar Mendes e da sua turma. 

Ele respondeu ao que considera um crime com outro crime”, pontuou. O comentarista acredita que a decisão de Mendes foi feita para ajudar a corrupção. 

“Eles são advogados que chegaram lá por motivos políticos. Nenhum é juiz. Não respeito nenhum como juiz”, disse, aconselhando que, pela decisão, todos os envolvidos na Operação Lava Jato devem ser considerados como inocentes para que o povo veja claramente que “o Supremo não merece o respeito de nenhum homem de bem, nenhuma mulher honesta, nem de crianças que sabem identificar os ladrões que aparecem na cara deles”.

Veja programa na íntegra:

Com informações da Jovem Pan