Montagem blogdonegreiros1

Por:

Marcos Nogueira

Gabriel Garcia Márquez, no Outono do Patriarca, descreve bem o cenário quase presente, que remonta a um recente passado, podendo-se ver o "general" em coito com a concubina, que não é mais Rose, mas uma reluzente meretriz da nata sociedade circense. Não, não pensem na "amante". Imagina!

Enfileirados, e depois aos montes, eunucos se ajoelham em reverências genuflexas, a catar dobrões, caídos dos cofres abarrotados de poder e lixo. O odor perfumado do jardim se mistura com a fedentina das fezes supremas. A corte vassala se vê afugentada do próprio poder! "Mas somos deuses!". "Não tão assim. Apenas pensavam como tais!" E o coro canta: "Viva o rei! Viva o rei! Ele é bom, ele é o rei!"


 O panorama é real. O riso é ensurdecedor. " Barrabás! Barrabás!" E não há ninguém a lavar as mãos, apenas o olhar vazio numa terra sem homens!

Do alto do cadafalso o alferes vê o caos do porvir, e blasfema contra seu próprio gesto e atitudes. Caxias se arrepende dos últimos combates, enquanto os ancestrais guerreiros escondem as lanças de tantas batalhas! E no caminhar, estudantes dizem, se opondo ao dito: "Longe de nós sermos o Brasil de amanhã!" E o coro continua: "Viva o rei, o rei é bom! Viva o rei!" E no andar trôpego do corpo senil, a majestade se deixa levar mais uma vez pela luxúria!

* Marcos Nogueira é jornalista.