Por:

Paulo André Cecílio

Conhecemos-lhe as perucas, as pernas, a voz. Os discos e as canções. E conhecemos, lamentavelmente, a história dos abusos físicos e psicológicos de que foi alvo, antes de conseguir escapar a um ex-marido violento e recuperar a sua liberdade e a sua carreira. Falamos de Tina Turner, alvo de um novo documentário sobre a sua vida e carreira, “Tina”, que chega este sábado à HBO – uma oportunidade para relembrar o porquê de a norte-americana ser simply the best.


Determinar qual é o ponto zero do rock n' roll é uma tarefa hercúlea. A discussão tem tantos anos quantos o género musical, e tem envolvido não apenas académicos e artistas como, claro está, os fãs, sem os quais a música não teria sido mais que uma nota de rodapé dentro da história da cultura norte-americana. Os candidatos são muitos, e variados: há Robert Johnson, há Elvis, há Bill Haley, Chuck Berry, Little Richard, Sister Rosetta Tharpe e até Hank Williams. E há Ike Turner, que em 1951 gravou aquela que muitos consideram ser a primeira canção rock de sempre, 'Rocket 88', um blues a rebentar de ritmo, ode a um (então) recente modelo de automóvel da Oldsmobile.

Mas esta não é a história de Ike Turner. Não poderia ser, tendo em conta tudo o que veio depois – não só no que ao rock n' roll diz respeito, como em relação à cantora pela qual Ike se deslumbrou, apadrinhou, nutriu e, durante o auge da sua carreira, espancou brutal e violentamente como uma qualquer boneca de trapos. A linguagem tem que ser dura porque esse foi um período duro na vida de Tina Turner, que superou a medonha omnipresença do seu colega e carrasco para, já mulher quase na meia-idade, se tornar numa das maiores estrelas do séc. XXI.

Matéria sugerida pelo nosso internauta, Marcílio Fontes Cézar. Veja matéria completa em: Tina Turner, a mulher que saiu do abismo para ser simplesmente a melhor - Vida - SAPO 24