A operação no intestino grosso à qual o Papa Francisco, de 84 anos, foi submetido no último domingo sofreu uma drástica mudança no centro cirúrgico, durante a realização. Os médicos do Hospital Gemelli, em Roma, haviam programado uma cirurgia robótica, técnica sofisticada e pouco invasiva, feita com a ajuda de robôs. Poucos minutos do início, no entanto, a equipe identificou que o problema — um estreitamento no intestino provocado por diverticulite — era mais grave e tiveram de optar na hora pela operação chamada "a céu aberto", quando a barriga é cortada.


A diverticulite é uma inflamação na parede do intestino grosso que causa espessamento da parede do órgão. O Papa teve metade do cólon removido no procedimento.

— Essa conversão pode ocorrer, mas é incomum — diz Gustavo Guimarães, coordenador do Programa de Cirurgia Robótica da Beneficência Portuguesa, em São Paulo.

Na noite desta quarta-feira, o papa teve febre, mas exames de sangue descartaram infecção, de acordo com o Vaticano. Exames pulmonares e abdominais, além de teste microbiológicos, tiveram resultados negativos. A alta está programada para ocorrer no próximo domingo.

"Sua Santidade Papa Francisco teve um dia quieto, comendo e se locomovendo sozinho", afirmou em um comunicado o porta-voz da Santa Sé, Matteo Bruni. "À noite, manifestou um episódio febril. Nesta manhã, foi submetido a exames de rotina, microbiológicos e a uma tomografia computadorizada de tórax e abdômen, com resultado negativo."

No domingo, o Pontífice fez uma cirurgia pré-agendada para corrigir um "estreitamento intestinal (estenose) diverticular sintomático do cólon". Com cerca de três horas de duração, o procedimento foi realizado laparoscopicamente, para ser menos invasivo, por uma equipe de 10 pessoas na Policlínica Gemelli, em Roma. O procedimento, segundo o Vaticano, foi uma hemicolectomia do lado esquerdo, procedimento em que parte do intestino grosso é retirada.


Com informações de Extra