Canadá e Estados Unidos estão sofrendo com altas temperaturas durante o verão no hemisfério norte. Com isso, cientistas estão correndo para estudar o chamado “bulbo úmido”, quando temperaturas elevadas combinadas com umidade pode levar humanos à morte.
Pelo menos 100 mortes já foram atribuídas ao calor nos países da América do Norte. Um estudo publicado na Science Advances no ano passado com o título: “O surgimento de calor e umidade muito severo para a tolerância humana”, está sendo analisado com uma base para entender o que está acontecendo.


Geralmente, condições de clima suficientemente extremas para levar humanos ao óbito são raras. O Olhar Digital fez uma matéria explicando o que pode ocorrer com o corpo humano em climas assim e como funciona nossa capacidade de adaptação em temperaturas diferentes.

No estudo feito pela Universidade de Columbia, os pesquisadores encontraram mais de 7 mil ocorrências de prováveis casos de “bulbo úmido” usando dados coletados entre 1979 e 2017. Os países que mais tiveram casos desse tipo estão no Oriente Médio, no Sul da Ásia e no sudoeste da América do Norte.

As condições para que ocorra o bulbo envolvem uma combinação de fatores. Umidade relativa do ar acima de 95% e pelo menos 31 °C pode ser suficiente. No entanto, a condição mais crítica é quando as temperaturas passam de 35 °C, dentro das mesmas medidas de umidade do ar.

Temperatura do corpo humano

“Mesmo que tenham saúde perfeita, mesmo que estejam sentados à sombra, mesmo que usem roupas que, em princípio, facilitam o suor, mesmo que tenham um suprimento infinito de água”, explicou Radley Horton, chefe do estudo. “Se houver umidade suficiente no ar, é termodinamicamente impossível evitar o superaquecimento do corpo”, completou.

O ponto mais crítico é a transpiração, fundamental para controlar a temperatura do corpo, ela só consegue se manter estável se o clima estiver seco, com um tempo muito úmido, a água diminui seu poder de transformação em estado gasoso. Esse cenário leva a um aumento da temperatura corporal.

“Precisamos de um diferencial entre o corpo humano e o meio ambiente, e se o ar já está retendo o máximo de umidade possível, você não tem esse gradiente”, disse Horton. “Seu corpo não é capaz de obter a atmosfera para tirar a umidade dele”, completa ainda.

A pesquisa ainda afirma que é difícil estabelecer um padrão entre a umidade do ar e a temperatura que pode levar à morte, mas que as estimativas meteorológicas precisam começar a levar isso em conta. “O próprio fato de não haver um padrão que todos usem e de a maioria das pessoas não conseguir explicar exatamente o que isso significa sugere que podemos fazer mais”, explicou Matthew Lewis, diretor de comunicações do grupo de defesa da habitação California YIMBY.

Via Vice