Atacante Malcom entrou na prorrogação e decidiu a final em Yokohama; Brasil chegou a sua sétima medalha de ouro no Japão

A festa é novamente brasileira em Yokohama. No palco do pentacampeonato mundial em 2002, a seleção brasileira de futebol masculino bateu a Espanha por 2 a 1, na prorrogação da final dos Jogos de Tóquio neste sábado, 7, e conquistou o bicampeonato da competição. Matheus Cunha e Mikel Oyarzabal marcaram os gols no tempo normal. No tempo extra, Malcom coroou sua boa atuação com o gol que valeu ouro.

Com isso, o Brasil chegou a sua sétima medalha dourada em Tóquio, igualando a marca obtida na Rio-2016. O recorde em número total de medalhas, que era de 19, já foi superado com os 21 pódios garantidos no Japão (são 19 atualmente, mas Beatriz Ferreira, no boxe, e o vôlei feminino estão na decisão).

Os dois times lutavam pelo bi e pelo primeiro ouro fora de casa. A Espanha subiu ao topo do pódio em Barcelona-1992, liderada em campo por Pep Guardiola, enquanto o Brasil ainda tinha fresco na memória a vitória sobre a Alemanha, no Maracanã, na Rio-2016.

Ao contrário das outras partidas, em que os adversários se fecharam completamente diante do Brasil, a Espanha foi fiel a seu estilo de propor o jogo e tornou a partida mais aberta – e tensa. O Brasil entrou ligado, por vezes até demais, e Guilherme Arana e Richarlison receberam cartão amarelo por entradas duras. Aos 16 minutos, a Espanha quase saiu na frente quando Oyarzabal cabeceou para o meia da área; mas o zagueiro Diego Carlos fez um corte salvador.


O Brasil conseguiu equilibrar o jogo e aos 38 minutos teve chance quando o árbitro assinalou pênalti do goleiro Unai Simón em Matheus Cunha, com o auxílio do VAR. Na cobrança, Richarlison pegou muito embaixo da bola e isolou. Pouco depois, porém, veio o gol: Claudinho levantou na área, o capitão Daniel Alves evitou que a bola saísse e Matheus Cunha brigou com a zaga espanhola, ganhou no corpo e mandou para as redes com extrema categoria.

Artilheiro da competição com cinco gols, Richarlison por pouco não se redimiu no início da segunda etapa ao receber enfiada de Matheus Cunha, aplicar um lindo corte em Óscar Gil, e bater firme. O goleiro Unai Simon, no entanto, defendeu no reflexo, a bola bateu no travessão e não entrou.

A partir daí, a Espanha cresceu no jogo e empatou aos 15 minutos. Bryan Gil esticou passe na ponta direita, Soler cruzou e o capitão Oyarzabal apareceu nas costas de Daniel Alves na segunda trave para pegar de primeira e mandar para as redes.

Guilherme Arana aparecia como um bom desafogo e o Brasil chegou bem em algumas jogadas pela esquerda. No entanto, nos minutos finais, foi a Espanha quem assustou com duas bolas no travessão. Primeiro com Soler, em um cruzamento que quase encobriu o goleiro Santos, e depois com Bryan, em um lindo chute da entrada da área.

O técnico André Jardine só decidiu mexer na prorrogação: saiu Matheus Cunha e entrou Malcom. O atacante do Zenit imediatamente mudou os rumos do jogo e levou perigo em boas tabelas e arrancadas pela esquerda com Arana, seu amigo de infância e ex-colega de Corinthians. Claudinho, apagado ao longo da partida, também levou perigo em chute da entrada da área, por cima.

O meia do Red Bull Bragantino deu lugar a Renier na segunda etapa da prorrogação. O Brasil seguiu melhor na prorrogação e, aos dois minutos, veio o gol de ouro: Antony deu belo lançamento e encontrou Malcom, que ganhou na velocidade, invadiu a área e bateu por baixo de Unai Simón.  No fim, o time se fechou e garantiu mais um carnaval em Yokohama.

O Brasil encerrou a campanha invicto, com vitórias por 4 a 2 sobre a Alemanha e 3 a 1 sobre a Arábia Saudita e empate em 0 a 0 com a Costa do Marfim; na fase final, bateu Egito por 1 a 0, eliminou o México nos pênaltis após empate em 0 a 0 e venceu a Espanha na final por 2 a 1 na prorrogação. Fez dez gols, levou quatro e teve o artilheiro da competição, Richarlison, com cinco bolas na rede.

O gol de Malcom que valeu o ouro ao Brasil Vincenzo Pinto/AFP


Com informações de Veja