Parece a case que acondiciona a máquina do tempo da série "Dark", mas é só uma caixinha de CD
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REPORTAGEM

Pergunta sincera: quanto você já pagou ou pagaria por um disco? Eu, que sempre tive um imã de promoções instalado sob minha pele via microchip, estabeleci um recorde pessoal.

Fiquei R$ 150 mais pobre mês passado em troca de uma edição nacional —usada, mas em ótimo estado— de "Physical Graffiti", clássico duplo e absoluto do Led Zeppelin, adquirido em um sebo da zona sul de São Paulo.

Mas e seu te dissesse que alguém já desembolsou US$ 2 milhões para ter um disco --no caso, um CD-- em casa? 

Dependendo do quão raro ou exclusivo é um disco, valores se equiparam tranquilamente aos do inflacionado mercado de artes plásticas, que por sinal ajudam a explicar a desigualdade do mundo em que vivemos.

Para entender melhor o que estou datilografando, dê só uma espiada na lista abaixo, feita a partir de uma compilação feita pelo site Wealthy Gorilla. Existem várias listas do gênero por aí, como esta, mas escolhemos a que julgamos mais interessante.

10. Frank Wilson: "Do I Love You (Indeed I Do)".


Vendido por US$ 37 mil (cerca de R$ 192,3 mil na cotação atual) 

Por que tão caro? 

Porque é o único single do cantor, compositor e produtor Frank Wilson, lançado pelo selo Soul, que pertencia à histórica Motown Records, e há rumores de que hoje em dia restam apenas cinco deles em circulação. Foi vendida em leilão a um comprador anônimo em 2009. 

Contexto: apenas 250 compactos em versão demo foram prensados, e a maioria deles teria sido destruída a mando de Berry Gordy, chefão da gravadora que não apreciou muito a ideia de um de seus mais talentosos produtores estar tentando carreira solo.

9. Tommy Johnson - "Alcohol and Jake Blues" 

                                      Imagem: Reprodução 

Vendido por US$ 37,1 mil (cerca de R$ 192,8 mil) 

Por que tão caro? 

É uma tarefa dificílima encontrar discos de 78 rotações desta lenda do blues do Mississipi, conhecida pelo vocal em falsete e que morreu em 1956 sem o devido reconhecimento. 
O americano John Tefteller, do estado do Oregon, encontrou um deles no eBay em 2013, e pagou uma pequena fortuna. Detalhe: ele já tinha uma cópia, mas em piores condições. 

8. Caustic Window - "Caustic Window" 

                             Imagem: Reprodução 

Vendido por US$ 46,3 mil (cerca de R$ 240,7 mil) 

Por que tão caro? 

Caustic Window nada mais é que um projeto de música eletrônica de Richard D. James .

Aphex Twin), que teve o álbum de estreia cancelado em meados dos anos 1990. Somente algumas prensagens de teste foram distribuídas. Uma delas foi comprada a preço de ouro em 2014 por Markus Persson, também conhecido como criador do jogo e fenômeno pop Minecraft. 

7. The Beatles - "Till There Was You" 

                        Imagem: Reprodução/Discogs 

Vendido por US$ 100 mil (cerca de R$ 519,8 mil) 

Por que tão caro? 

Já apelidado de "Santo Graal" dos discos dos Beatles, este disco de dez polegadas, com as faixas "Till There Was You" e "Hello Little Girl", é uma prensagem particular de 1963, época do segundo álbum da banda, "With the Beatles". Por décadas foi dada como perdida.
 
O disquinho acabou encontrado no sótão do músico Les Maguire, tecladista do grupo Gerry and the Pacemakers, que também era da cena de Liverpool. Em 2016, foi adquirido por um comprador anônimo.

6. The Beatles - "Yesterday & Today"

                                 
Imagem: The Beatles Story/Reprodução
Vendido por 179,2 mil libras (cerca de R$ 1,3 milhão)

Por que tão caro?

Trata-se do famoso e original "Beatles Açougueiro", álbum lançado em 1966 apenas nos EUA e Canadá e que foi retirado das lojas por mostrar os integrantes em meio a pedaços de carnes e bonecas decepadas na capa.

Edições censuradas comuns são avaliadas em cerca US$ 15 mil, mas o valor disparou porque esta em questão, arrematada em leilão em 2019, pertenceu a John Lennon e conta com assinaturas dos Fab Four.

5. The Beatles - "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band"


Vendido por US$ 290,5 mil (cerca de R$ 1,5 milhão)

Por que tão caro?

Imagine ter um dos discos mais emblemáticos da música pop de todos os tempos. Agora imagine tê-lo assinado por todos os integrantes do grupo mais famoso de todos tempos?

Esta pepita foi comprada em leilão de 2013 por um americano, que pagou quase dez vezes o valor esperado pelos leiloeiros. Vale tudo isso? Er...

4. Elvis Presley - 'My Happiness'


Vendido por US$ 300 mil (cerca de R$ 1,6 milhão)

Por que tão caro?

Este compacto tem as primeiras gravações de Elvis e traz duas covers "My Happiness" e "That's When Your Heartaches Begin". É mais um caso de prensagem raríssima de teste, que em 2015 terminou nas mãos do músico e aficionado por mídia física Jack White.

Ele inclusive comprou os diretos e lançou uma edição limitada de 'My Happiness' em sua gravadora, a Third Man Records.

3. The Beatles - "The Beatles "("White Album")






Vendido por US$ 790 mil (cerca de R$ 4,1 milhões)

Por que tão caro?

É simplesmente a primeira cópia do álbum de 1968, para muitos o melhor dos Beatles, que pertenceu a ninguém menos que o baterista Ringo Starr. Haja grana.

Foi leiloado nos Estados Unidos e traz o número de série que é a garantia de autenticidade e brilho nos olhos de colecionadores: 0000001. 

2. John Lennon & Yoko Ono - "Double Fantasy"


Vendido entre US$ 600 mil e US$ 800 mil (entre R$ 3,1 milhões e R$ 4,2 milhões), segundo o TMZ

Por que tão caro?

Este álbum polêmico pertenceu a Mark Chapman, o assassino de John Lennon, e foi autografado pelo músico horas antes de ser assassinado em Nova York no dia 8 de dezembro de 1980.

Em 2010, encontrou seu mais recente comprador. Foi colocado a leilão novamente no ano passado, com lance inicial de US$ 400 mil, mas ainda não obteve vencedor. Interessou na bagatela? Clique aqui.

1. Wu-Tang Clan - "Once Upon a Time in Shaolin"

Vendido por US$ 2 milhões (R$ 10,4 milhões)

Wu-Tang Clan - "Once Upon a Time in Shaolin" - Warren Wesley Patterson - Warren Wesley Patterson
Imagem: Warren Wesley Patterson

Por que tão caro?

É difícil crer em tal valor. Mas não é fake news. E a história é ótima.

Por estratégia ousada de marketing, este trabalho do grupo de rap nova-iorquino jamais chegou ao público. Apenas uma cópia foi fabricada em 2015, após seis anos de sigilosa produção em estúdio.

Alçado ao status de um "Picasso do hip hop", o disco —na verdade, um CD duplo— permaneceu intocado em um cofre no Royal Mansour Hotel de Marrakech, no Marrocos, antes de ser leiloado com pompa e circunstância pela Paddle8 em 2015.

Mas quem poderia comprar algo assim? Um podrão de rico, evidentemente. E o nome dele é Martin Shkreli, americano de 38 anos criador de fundos multimercados e um dos magnatas da indústria farmacêutica.


Reportagem para UOL