Quando falamos em Dubai, prontamente pensamos em arranha-céus, empreendimentos gigantes, hotéis 7 estrelas, comércio para todo o lado, turismo farto e uma variedade de culturas em um único lugar, além de muita tecnologia e ostentação. Afinal, é aqui que está o Burj Khalifa, uma torre de 830 metros de altura que é considerado como o maior arranha-céu do mundo! 


Dubai é uma das maravilhas da engenharia construídas do século e é aqui que o arquipélago Palm Islands está localizado: esse arquipélago é formado por três ilhas artificiais em forma de palmeiras, a Palm Jumeirah, a Palm Jebel Ali e a Palm Deira. Essas ilhas artificiais são consideradas as maiores do mundo e com os maiores projetos que o Planeta Terra já viu, tendo sido erguida exatamente para alavancar o turismo na região. 




Porém, para que tanta riqueza, modernidade, luxo e ostentação acontecesse… alguém deveria pagar o preço, não é mesmo?

O Universo Inteligente apresenta: o lado pobre de Dubai que ninguém imagina. 

Dubai tem 148 arranha céus e alguém precisou construí-los. E é exatamente dessas pessoas, ou melhor, do lugar onde vivem os trabalhadores de Dubai, que iremos falar hoje. 

Chamada de Sonapur, nome não-oficial da periferia de Dubai, todo o luxo e os arranha céus se tornaram uma realidade muito distante. E, pasmem: atualmente 85% da população de Dubai vive nas periferias, já que toda essa porcentagem é formada por estrangeiros, ou melhor dizendo, pelos trabalhadores de Dubai.  

Para entender melhor a situação, vamos te contar um pouco sobre como Dubai foi formada: a criação dos Emirados Árabes remonta aos anos 1950-60, uma época em que o Reino Unido detinha o poder sobre esses territórios. Antes de conseguirem a independência, a região era apenas povoada por pastores de camelos e, um pouco mais tarde após conseguirem se libertar do Reino Unido, uma das mais importantes reservas de petróleo do planeta foi descoberta, transformando a nação, anteriormente pobre, em uma das mais ricas do mundo.

Isso sem dúvidas atraiu pessoas do mundo inteiro, que estavam em busca de melhores oportunidades nesta terra tão promissora. Então, várias campanhas para trazer trabalhadores do mundo todo até Dubai foram feitas e com sucesso. Nos dias de hoje, 85% de sua população é composta por pessoas da Índia, Turquia, Bangladesh, diversos países do Oriente Médio e da Ásia e também de pessoas do Ocidente – tanto europeias como americanas.

Por essa razão Dubai é uma cidade multicultural e, apesar do idioma oficial ser o Árabe e da religião oficial ser o Islã, existe uma ampla variedade de templos religiosos como igrejas e mesquitas e o inglês é amplamente utilizado no dia a dia.

Dubai é atualmente o local considerado com a menor taxa desemprego do planeta, com apenas 0,05% de desempregados em todo o território. O que significa que lá, as pessoas trabalham bastante, mas não para enriquecerem… e sim para sobreviverem. Quando uma pessoa fica desempregada em Dubai, o governo a deporta em até 30 dias caso permaneça sem um trabalho, então… bem, não há outra opção se não aceitar qualquer trabalho que esteja disponível e rapidamente se quiser permanecer no País.

Sendo assim, são nas periferias que moram todos esses trabalhadores, tornando Sonapur uma cidade de condições altamente precárias e sem estrutura: muitas casas são construídas sem acabamento, não possuem sistema de resfriamento ou sequer ventiladores, além da ausência de portas e janelas nas casas na grande maioria das vezes.


Em Dubai há uma divisão de classes muito aparente: os nativos da área foram os primeiros a serem mais beneficiados, e geralmente são empreendedores e pessoas que moram no centro da cidade; um segundo grupo é formado pelas elites de outros países, com líderes e empresários que arriscam suas fortunas na terra das inúmeras possibilidades. A última classe de trabalho, que são a maioria das pessoas, que apenas prestam serviços e recebem salários, muitas vezes com reduções, sem benefício algum por parte das empresas ou até mesmo do governo.


Se o salário é tão bom em Dubai, por que as pessoas vivem nessas condições em Sonapur?

Bem, vale a pena lembrar que as pessoas que saem de seus respectivos países estão em busca de condições melhores, de forma que muitos desses trabalhadores, com o dinheiro que recebem, conseguem aportar os estudos de seus familiares e prover melhores condições de vida às suas famílias que se encontram em seu país natal. 

O motivo de viverem nessas condições, além da falta de benefícios, é o alto custo de vida de Dubai, que acaba sendo proporcional aos salários. Ganha-se bem, mas também gasta-se muito e, por isso em alguns casos, as empresas que contratam pessoas já incluem a moradia no contrato de trabalho.


Os funcionários acabam ficando sem escolha, de forma que precisam levar uma vida com muitas restrições para que possam aportar suas famílias ao longe – isso quando conseguem e não ficam refém de suas próprias necessidades básicas, como ocorre na maioria dos casos. Em média, um trabalhador precisa dividir seu quarto com cerca de 5 pessoas para que possa ter acesso à comida ou o necessário para poder vestir, usar o transporte público e comer.


A cidade de Sonapur é uma realidade, mas como não é nada agradável, tornou-se um local que o governo de Dubai não gosta de falar sobre e também não gostaria que você visitasse: algumas imagens obtidas, inclusive, comparam o trabalho oferecido pelos imigrantes como algo próximo à escravidão, com condições tão miseráveis em que muitos acabam morrendo, sobretudo por conta do calor sufocante do país, sem nenhum tipo de assistência sequer.


Por outro lado, a mídia procura ceder uma imagem muito mais espetacular do que realmente acontece em Dubai. Aqueles que ergueram os grandes impérios com a força de seu trabalho, se tornaram meros fantasmas.

Apesar dos empreendimentos terem sido financiados por pessoas ricas, os trabalhadores são igualmente importantes, já que sem eles, todo o funcionamento da cidade simplesmente não ocorreria. Toda a carga de trabalho que vai desde a limpeza, construção, manutenção elétrica e de redes e até aos atendimentos em complexos hoteleiros são feitos por essas pessoas que, para o mundo, se tornaram esquecidas.

Enquanto alguns permanecem com nada, o luxo se tornou excessivo de uma maneira absurda em Dubai: pessoas ganham carros banhados a ouro e outros produtos que os próprios Emirados Árabes Unidos podem fornecer.


Ali você pode adquirir qualquer item que queira banhado a ouro ou de ouro em si, já que os Emirados Árabes dispõem de suas próprias minas e a riqueza é abundante – para alguns, apenas.

O dinheiro flui de uma maneira tão alta que uma parcela da população se tornou inconsciente dos danos gerados aqueles que mantém tudo funcionando.

Mas, se você tem vontade de conhecer essa região ou até buscar maiores informações sobre ela, vale o alerta: onde esses trabalhadores moram são considerados como “zonas de risco”, de modo que as visitas não são encorajadas por conta de todo o perigo que você pode encontrar. Ali, rodeados de miséria e privados dos bens mais essenciais à vida, vivem trabalhadores pobres e também uma realidade nada convencional que deixaria qualquer turista assustado: o abandono.



Em Sonapur, incrivelmente, você encontrará carros de luxo completamente abandonados por pessoas que, na tentativa de aumentarem seu padrão de vida, acabaram se envolvendo em dívidas gigantescas e largaram tudo, fugindo do país com o pouco que lhes restava para que não fossem presas ou não tivessem de morar em Sonapur.

Tudo o que é abandonado em Dubai, permanece abandonado: lá as leis são bem rígidas e, qualquer pessoa que dirija um carro sem a devida documentação ou de um proprietário que estivesse em dívidas, poderia ser presa ou sofrer de consequências ainda maiores, como a pena de morte.

A realidade sempre vai muito além do que vemos na TV ou até mesmo na internet. E há muito mais a ser explorado sobre a terra onde o luxo parece não ter fim.

Você sabia que as leis são altamente severas em Dubai e algumas coisas simples, como demonstrações públicas de afeto, são consideradas como uma ofensa pública?


Por Luighi Feorippe para Universo Inteligente