Foi presa na última quinta-feira, 23 de setembro, em Corumbá, Mato Grosso do Sul, a controladora de tráfego aéreo que foi responsável pela análise e aprovação do plano de voo da aeronave que levava o time de futebol da Chapecoense à Colômbia em novembro de 2016.

Na ocasião, o avião quadrimotor Avro RJ85 registrado sob a matrícula CP-2933, operado pela divisão boliviana do grupo aéreo venezuelano LaMia, caiu minutos antes do pouso quando fazia o voo fretado que transportava o time da cidade catarinense Chapecó, além de sua comissão técnica e jornalistas, de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, para uma partida da Copa-Sulamericana na Colômbia.



O comandante do avião, Miguel Quiroga, que também era instrutor de voo e um dos donos da empresa aérea, preparou o trajeto do transporte mesmo diante da incapacidade da aeronave de comportar combustível suficiente para ter a sobra de segurança obrigatória para a distância a ser voada.

Originalmente, o voo deveria fazer uma escala de reabastecimento, porém, devido a um atraso na decolagem, o aeroporto da parada intermediária seria fechado por não operar no período noturno. Assim, o piloto optou pelo voo direto, no limite do combustível que era possível de ser colocado nos tanques do RJ85.

Publicidade

Um controlador de tráfego aéreo rejeitou mais de uma vez o plano de voo apresentado, exatamente por notar que a aeronave não tinha capacidade para abastecer combustível extra para a margem de segurança, porém, pessoas ligadas à LaMia e com influências nos órgãos de controle de tráfego e fiscalização da aviação boliviana conseguiram alterar a rejeição do plano de voo.

Com o plano aprovado, o RJ85 partiu para o voo que chegaria ao destino no limite do combustível, porém, quando já se aproximando de Medellín, na Colômbia, precisou efetuar órbitas de espera, por conta de outra aeronave que tinha preferência de pouso no mesmo aeroporto devido a uma emergência. Com a espera, o combustível se esgotou, os motores se apagaram e a aeronave perdeu altura até o impacto contra o solo, deixando mortas 71 das 77 pessoas a bordo.

Após o acidente, Celia Castedo Monasterio, a controladora boliviana que aprovou o plano antes rejeitado e agora está presa em Corumbá, fugiu do país em busca de asilo político no Brasil, alegando que ela foi pressionada por seus superiores a alterar um relatório que havia feito antes da decolagem da aeronave, e que temia que a Bolívia não lhe desse um julgamento justo.

Desde então, ela permanecia no Brasil enquanto era procurada pela justiça de seu país, até que nesta semana o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, determinou a extradição da investigada, em sentença que, segundo o G1, afirma que Celia é “procurada pela Justiça Boliviana para responder pela suposta prática do crime de atentado contra a segurança do espaço aéreo”.

Ainda segundo o G1, a Polícia Federal disse que Celia permanecerá reclusa em Corumbá, onde aguardará os trâmites legais para que seja entregue às autoridades bolivianas, e a defesa da controladora disse que “está tomando ciência sobre o pedido de extradição para saber qual medida tomar para garantir a permanência dela no Brasil”.


Com informações da Aeroin