Foto: Ascom/PF

CAMILA MATTOSO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Justiça Federal da Paraíba afastou o servidor Celso Mamede Lima do Ministério do Desenvolvimento Regional por suspeita de envolvimento com uma organização criminosa que desviava dinheiro público de obras de açudes em áreas castigadas pela seca.

Celso Mamede e empresários da Paraíba são investigados na  operação Bleeder, sexta fase da Recidiva, deflagrada nesta quinta (18).

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No ministério, o servidor ocupava atualmente o cargo de assessor na coordenação-geral de Obras e Aquisições do Departamento de Estruturação Regional e Urbana da Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano.


Celso Mamede era responsável por fiscalizar e vistoriar as obras e, segundo o Ministério Público Federal, se aliou a João Feitosa, apontado como líder da organização criminosa que utilizava empresas de fachada para fraudar as licitações e pagava suborno a servidores.


Embora Feitosa tenha falecido, segundo o MPF o grupo criminoso continua a atuar, inclusive, em uma licitação feita em 2021 para construção de açude na cidade de Bom Sucesso (PB).

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Dados da licitação mostram que o projeto da obra foi realizado por Josão Feitosa Leite Júnior, filho do falecido João Feitosa.

Os investigadores monitoraram visitas de Celso Mamede em cidades da Paraíba, em 2020, para vistoriar obras de açudes e confirmaram os encontros do servidor com João Feitosa.


O MPF aponta que os projetos dos açudes eram elaborados “com a ajuda e a camaradagem do próprio vistoriador”, no caso Celso Mamede Lima.


E-mails em posse dos investigadores apontam para a anuência de servidores do Ministério do Desenvolvimento Regional para aprovar as obras.


Uma dessas mensagens, diz o MPF, é esclarecedora e mostra a preocupação de Celso Mamede com outro servidor da pasta.


“O servidor do MDR, cujo nome não é citado, estaria preocupado pois daria pareceres sem nem mesmo vistoriar a obra ou realizar as medições, indo apenas passear e quando o TCU notou alguma irregularidade na obra, o servidor ficou apavorado, provavelmente com medo de descobrirem que ele não fez nenhuma vistoria ou medição”, diz o MPF.