A Força Aérea Brasileira (FAB) anunciou na noite deste último sábado, 6 de novembro, que investigadores do SERIPA VI (4º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) compareceram na sede da empresa operadora do avião acidentado na sexta-feira, que vitimou cinco pessoas, incluindo a cantora Marília Mendonça, para coleta de subsídios para a investigação da ocorrência.

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Segundo a FAB, os integrantes do SERIPA VI, que é uma das divisões regionais do CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), coletaram documentos de manutenção, registros operacionais dos tripulantes e uma amostra de combustível do caminhão que abasteceu a aeronave antes do voo de Goiânia (GO) para Caratinga (MG).

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Mas, se já foi confirmado que durante o triste final do voo em questão o avião atingiu cabos elétricos de alta tensão nas proximidades do destino, por que os investigadores se voltaram, por exemplo, à manutenção e ao combustível utilizado? 

Seria por conta das diversas informações que mídias ao redor do país publicaram sobre supostas denúncias contra a empresa dona do avião?

Definitivamente, a resposta para a última pergunta acima é “NÃO”. Na verdade, o que acontece, não apenas neste, mas em todos os acidentes aeronáuticos, é o seguinte:

Uma investigação nunca pode ficar restrita a um único aspecto que parece ser óbvio como causa da ocorrência.

Por exemplo: neste caso específico da queda da sexta-feira, muitas pessoas passaram a afirmar que houve irresponsabilidade por conta da existência dos cabos de alta tensão no local onde o avião os atingiu. 

Esse é o aspecto óbvio, a colisão do avião com os cabos. Porém, outros aspectos precisam ser considerados como podendo estar envolvidos, como, por exemplo:


– Por que o avião encontrou os cabos em seu voo?


– Ele estava voando na altura correta e os cabos estavam no caminho, ou ele estava, por exemplo, abaixo da altura correta?


– Se for constatado que ele estava abaixo da altura, por que isso aconteceu?


– Foi porque, por exemplo, os pilotos não estavam bem treinados?


– Foi porque, por exemplo, eles não foram informados ou não se atentaram sobre particularidades do relevo daquela região?


– Ou foi porque, por exemplo, eles enfrentaram um problema com a aeronave pouco antes e o avião perdeu altura até atingir os cabos? 







Note como, pelas perguntas acima, que são todas apenas possibilidades, muitos aspectos bastante complexos se mostram presentes como possíveis causas ou possíveis fatores contribuintes para o acidente.

Assim sendo, independente de qualquer aspecto que possa parecer ser o mais provável, e independente de qualquer denúncia de meios de comunicação, antes mesmo dessas e de quaisquer outras suspeitas, o trabalho dos investigadores é coletar todos os dados das mais diversas frentes possíveis.

Isso vai desde a lógica operacional da empresa dona da aeronave até o treinamento dos pilotos, a condição da aeronave, as informações dos aeroportos envolvidos, os dados de voo, entre muitos outros pontos.

Dessa forma, conforme os investigadores do CENIPA avançarem no processo, eles já terão em mãos os dados que forem necessários para cobrir a mais ampla gama de aspectos envolvidos, para determinar com a maior precisão possível as causas e, assim, permitir que toda a aviação evite que algo semelhante aconteça de novo, uma vez que esse é o grande objetivo da investigação.



Reportagem de Murilo Basseto para Aeroin