A morte de Max Willyan Gomes, 14 anos, em Alexânia (GO), em 20/12/2021, chamou a atenção para o risco do uso de equipamentos eletrônicos. Ele levou descarga elétrica ao usar o celular que estava carregando na tomada, ligado a uma extensão. Segundo a polícia, chovia na hora e um raio ampliou a corrente.


A Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade afirma que, embora os acidentes sejam raros (se compararmos o número de casos com a enorme quantidade de celulares no Brasil), o risco existe. Só no primeiro semestre deste ano, houve 10 ocorrências desse tipo, com 6 mortes.

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Em 28/2, uma menina de 10 anos morreu ao colocar o celular para carregar, usando uma extensão que estava com o fio descascado, em Quirinópolis (GO).


Em 4/4, o técnico de informática Danilo Maurício Xavier, 30 anos, morreu ao levar um choque elétrico quando usava fones de ouvido para estudar no computador, em Nova América (GO). O equipamento estava ligado na tomada.


Em 25/5, a cabeleireira Márcia Soares, 26 anos, morreu ao levar choque em celular ligado na tomada em Lagoa do Carro (PE).


Em 24/8, Sara Alves, de 2 anos, morreu atingida por descarga elétrica do carregador do celular em Ereré (CE). Ela havia deitado sobre o fio do celular, que estava carregando em uma extensão.


Em 11/12, Darley Emanuel morreu ao tomar choque após colocar o celular para carregar numa tomada em Santa Helena, no Sertão da Paraíba.


Para evitar riscos, alguns cuidados são essenciais. Não use carregadores pirata. Eles não têm dispositivos de segurança como, por exemplo, fios com a resistência adequada à corrente recebida e sensores que interrompem a energia quando a bateria está 100%.


Quando a bateria fica cheia, pode haver superaquecimento se não houver um sistema que interrompa a corrente elétrica. Somente os carregadores originais dispõem dessa tecnologia.


Não use cabos com defeito, pois eles podem esquentar demais e até explodir. Se o cabo estiver quebrado, não tente remendar. Jogue fora. Para evitar danos no cabo, evite colocá-lo solto na mochila ou na bolsa Guarde o fio numa bolsinha ou pochete apropriada.


Em 2017, uma menina de 14 anos morreu eletrocutada no Vietnã ( e o caso teve repercussão internacional) ao se deitar sobre um fio de iphone desencapado, cujo carregador estava ligado à tomada. Ela tinha colocado fita adesiva, mas não adiantou.


Verifique se a bateria está estufada. Se isso ocorrer, troque imediatamente por outra. E o descarte da antiga deve ser feito em cestas específicas (nunca junto com o lixo comum). Lojas de eletrônicos costumam ter local apropriado para quem quer se desfazer de acessórios eletrônicos.


Não deixe o aparelho em cobertas, sofás e travesseiros enquanto estiverem sendo carregados. Eles podem sofrer um superaquecimento.


Não durma com o celular. É muito comum a pessoa se deitar com o celular, usá-lo até pegar no sono e permanecer ao longo da noite com o aparelho na cama. Não faça isso. Use o celular enquanto estiver acordado e depois deixe o aparelho em outro local.


Não recarregue o aparelho em áreas molhadas como banheiro, cozinha e área de serviço, e evite também utilizar o celular com os pés descalços nesses ambientes.


Se for preciso utilizar o celular, desconecte-o do carregador, principalmente se estiver numa ligação. Evite ficar perto do celular durante a recarga.


O especialista em segurança Gerardo Portela adverte que é comum as pessoas ligarem mais de um aparelho numa tomada do tipo benjamin, o que é perigoso. Extensores para várias tomadas sem proteção não devem ser usados.


O ideal é usar filtro de linha - uma régua com várias entradas e um interruptor. Se houver sobrecarga, o equipamento age como disjuntor, interrompendo a energia.


Outro alerta: não se deve usar celulares em postos de gasolina. O risco é tão alto que o uso do aparelho nesses ambientes é proibido por lei.


Especialistas explicam que o vapor de combustível é mais pesado do que o ar e fica concentrado perto do solo. Se o celular cai e gera um pequeno curto, isso pode ser suficiente para provocar uma explosão. E o posto de combustível está cheio de material inflamável, agravando o risco de uma tragédia.


A atenção deve ser redobrada em dias de temporal, com raios e trovões. O celular pode ser usado normalmente, mas a pessoa não deve manuseá-lo enquanto estiver carregando. Um raio na região pode fazer a descarga elétrica se expandir, atingindo o dispositivo móvel.


Com informações de Flipar