Na época do ano das maiores celebrações da nossa cultura, o Natal e Réveillon, alguém se pergunta porque celebramos? De onde surgiu, qual o intuito e quais benefícios da celebração? Claro que tudo começou com a celebração da natureza, onde tribos celebravam os ciclos da lua, solstícios, a colheita e todos os rituais eram em torno, e em prol, da natureza. Uma celebração limpa, pura, energizante.

Hoje, com os tempos modernos, a maioria das celebrações nos deixam mais cansados do que estávamos com tantas funções exaustivas. Provavelmente pelo foco nas coisas mais superficiais da celebração e não do próposito em si. 

Muitas pessoas esquecem o verdadeiro espírito das celebrações de final de ano, o objetivo, e se apegam aos presentes e em todo o cenário em torno desta data tão importante, tão significativa de generosidade, renovação, esperança e caridade.

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O real benefício da celebração é o sentimento de gratidão pelo que temos e conquistamos, e não pelo que não temos.

Segundo estudo conduzido pelos professores Dr. Robert A. Emmons e Dr. Michael McCullough da Universidade Davis da Califórnia e da Universidade de Miami, respectivamente, as pessoas que cultivam uma atitude diária de celebração e gratidão tem mais energia, menos stress e ansiedade, são mais propícios a ajudar os outros, fazem mais exercícios, dormem melhor, tem melhor saúde e tem maior sucesso nos seus objetivos pessoais (acadêmico, interpessoal e de saúde). E não precisa muito! Esse resultado foi de pessoas que simplesmente fizeram uma lista semanal de coisas pelas quais são gratos.

A celebração dos objetivos atingidos nos proporciona aquela famosa pausa que precisamos depois de alcançar o que desejamos. Um tempo, um momento para digerir e absorver todas as emoções do processo, ter o pico da celebração e colher os frutos da renovação, do reset. Celebrar também nos dá confiança de que estávamos no caminho certo e isso bomba a sua autoestima, favorecendo mais conquistas futuras.

Celebrar é importante não só para indivíduos, mas também para times! Os melhores lideres em negócios se certificam das celebrações do sucesso do time antes de compartilhar o próximo objetivo. Como James Kouzes e Barry Posner dizem no seu livro sobre liderança, “The Leadership Challenge”: “Líderes exemplares sabem que promover a cultura da celebração estimula a sensação de união e a motivação necessária para manter um bom time”.

Eles afirmam que essas celebrações são críticas para o trabalho em grupo, para a confiança e para o compartilhamento de valores em comum para criar um ambiente de energia, rejuvenescimento e diversão.

David Campbell, do Center for Creative Leadership, resume muito bem: “Celebrações pontuam bem o momento de passagem no tempo; sem elas, não existe começo ou fim, a vida se resume a uma série de quartas-feiras.”

Para as crianças é muito importante esse marco. Estimula a gratidão. Celebrar a primeira vez de algo, a primeira vez que viu uma cachoeira, a neve, o mar, fatos da natureza como a lua, o sol, os animais, tudo ao que damos valor em nossas vidas. Isso mostra a elas o que nós, pais, acreditamos ser importante. A celebração borbulha um sentimento de prazer que facilita o aprendizado. Inclua música, comida e jogos e o ambiente está completo. Se for ao ar livre, o engajamento infantil é ainda maior.

Mas a celebração não precisa se ater aos grandes eventos anuais. As pequenas celebrações no dia a dia são o que contribuem para uma base sólida de hábitos saudáveis e da consciência que cada dia é importante. Tantas pessoas lêem o livro de Eckhart Tolle, “The power of now” (“O poder do agora”), mas não aplicam. Quando uma criança é estimulada a ser grata, a probabilidade de ter uma vida plena é muito maior.

O vinho mais tomado em celebrações de final do ano é, sem dúvidas, o champagne. Na falta deste, abre-se o espumante que cabe no seu bolso e que está disponível nas importadoras. Com certeza, muitas opções de borbulhas podem ser encontradas. Faça uma boa ação, se puder. Compre para você e para alguém que não tem a condição de comprar. A instabilidade econômica causada pela pandemia desequilibrou muitas pessoas economicamente. Dividir o pão, dar as mãos a quem precisa, é um dos ensinamentos de Jesus. Para os que não seguem essa religião, tenho certeza que qualquer religião que seja, não importa qual, o foco é a ação do bem para o próximo e menos quem a disse.

Que as celebrações deste final de ano venham cheias de gratidão. E que 2022 venha cheio de esperança que nossas atitudes possam sempre melhorar, sempre, infinito, não acaba. Temos sempre a melhorar e sempre a celebrar! Como dizia Napoleão Bonaparte sobre champagne: “Na vitória merecemos e na derrota precisamos”.

Tchin tchin.

Carolina Schoof Centola é empreendedora do mundo do vinho plus sommelière, especializada na região de Champagne. Em Milão, foi a primeira mulher a participar do primeiro grupo de PRs do Armani Privé.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.


Reportagem de  Carolina Schoof Centola para Revista Forbes