Há 17 anos, em 26/12/2004, um terremoto no litoral da Indonésia causou um tsunami que devastou regiões de 4 países banhados pelo Oceano Índico: Indonésia, Sri Lanka, Índia e Tailândia.


Foi um dos maiores desastres naturais da história. Segundo o Centro Geológico dos EUA, a atividade sísmica liberou uma energia equivalente à de 23 mil bombas como a que foi lançada sobre Hiroshima, na Segunda Guerra Mundial.


Tamanha força provocou ondas de 30 metros de altura (um prédio de 10 andares) varrendo tudo pela frente. 226.306 pessoas morreram. O tsunami também afetou Madagascar, Maldivas, Malásia, Mianmar, Seicheles, Somália, Quênia, Tanzânia e Bangladesh. Mas com consequências muito menores.

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Nos quatro países mais impactados pela tragédia, além dos mortos, 1,3 milhão de pessoas ficaram desabrigadas, 469 mil imóveis foram danificados ou destruídos e o prejuízo chegou a US$ 10,7 bilhões (hoje, R$ 60 bilhões).


O terremoto que provocou o tsunami em 2004 teve magnitude 9,3 na escala Richter, que vai até 10. Nunca na história foi registrado um abalo que chegasse ao ponto máximo.


Na Escala Richter, uma magnitude acima de 6, já é "forte". Acima de 9, é considerada "excepcional": uma catástrofe que devasta centenas de quilômetros em torno do epicentro, com milhares de mortos.


A Indonésia é castigada com tremores e erupções vulcânicas porque fica no Anel de Fogo do Pacífico, área com elevada instabilidade geológica, onde placas tectônicas (formações rochosas) colidem com frequência. Esse arco abrange o Japão, a Oceania, o Leste da Ásia e o Oeste das Américas.


O filme "O Impossível", estrelado por Naomi Watts e Ewan McGregor, conta a história verdadeira de uma família que sobreviveu ao tsunami na Tailândia. A médica e advogada Maria Belón, o marido Enrique e os filhos Lucas, Simón e Tomás foram levados pelas ondas e se separaram, mas conseguiram se reencontrar.


Em 3/10/2018, um terremoto de 7,5 de magnitude seguido de tsunami deixou 1.200 mortos na cidade de Palu, no norte da Ilha de Celebes, na Indonésia.


Em 25/10/2010, ondas provocadas por um terremoto de magnitude 7,7 atingiram o arquipélago de Mentawai, na Indonésia, deixando mais de 400 mortos.


As áreas sob risco de tsunami emitem alertas e têm placas e sirenes (na foto, equipamento no Timor Leste). Neste mês de dezembro/2021, um alerta foi emitido no dia 14, na Indonésia, após terremoto na região de Maumere. Mas o tsunami não ocorreu. E o abalo não deixou vítimas.


No Japão, às vésperas deste Natal (22/12/2021), a Agência Meteorológica emitiu alerta de tsunami após terremoto na costa oriental do país. Não houve tsunami, mas o aviso de cautela foi mantido durante o Natal nas zonas litorâneas de Miyagi e Fukushima.


Em 11/3/2011, um tsunami de 10m de altura devastou o litoral de Sendai, após um tremor de 8,9 de magnitude. Foram 18 mil mortos e 3 mil desaparecidos, a maioria em Miyagi. O sismo causou vazamento na central nuclear de Fukushima, deixando milhares de desalojados por causa da radiação.


A baía Lituya, no Alasca, registra os maiores tsunamis da história. Mas, como a região é pouco habitada, o número de vítimas é pequeno. A devastação de áreas verdes fica clara nas fotos áereas. Nesta, de 1853, as amplas faixas brancas nas margens são trechos onde as árvores foram varridas do mapa.


A Baía de Lituya registrou o maior tsunami do planeta (9/7/1958). Um deslizamento na falha geológica Fairweather moveu 30 milhões de metros cúbicos de rocha e gelo. Ondas alcançaram 524 metros de altura, mais da metade do Burj Khalifa (foto-Dubai), edifício mais alto do mundo (828m). Cinco pessoas morreram.


O segundo maior tsunami na Baía Lituya ocorreu em 27/10/1936. Após um deslizamento de rochas, ondas gigantes vindas da Enseada de Crillo atingiram 149 metros de altura, a uma velocidade de 35 km/h.


Também no Alasca, uma geleira sofreu movimentos naturais e causou um tsunami com ondas de 192 metros, que atingiram o Estreito Icy, fiorde no arquipélago Alexandre, em 2015. Treze quilômetros de extensão do Parque Nacional Wrangell St.Elias foram devastados. Não houve vítimas.


Na Itália houve o único tsunami causado por negligência. A Barragem do Vajont, uma das mais altas do mundo (262m), foi construída numa área com falhas geológicas. Em 9/10/1963, um deslizamento sobre a represa gerou ondas de 230 metros que arrasaram aldeias do Vale do Piave. 2 mil pessoas morreram.


Nos EUA, um terremoto em 18/5/1980 acordou o vulcão no Monte Santa Helena, em Washington, que ficara adormecido por 120 anos (na foto, o monte antes e depois da erupção). Um tsunami de 249 metros matou 57 pessoas e milhares de animais. Prejuízo de US$ 2,9 bilhões (R$ 16,5 bi).


No Chile, em 27/2/2010, um terremoto de magnitude 8,8 resultou num tsunami com ondas de mais de 3 metros que destruíram o centro-sul do Chile, principalmente a região do Maule. 555 pessoas morreram.


O Brasil não sofre com tsunamis, mas há um registro desse evento em território nacional. Foi em 1/11/1755, quando o terremoto de Lisboa (Portugal) foi tão forte que empurrou uma onda pelo Oceano Atlântico até chegar ao litoral do Nordeste. Duas pessoas morreram na Praia de Pontinhas, na Paraíba.


No último dia 23/12/2021), pesquisadores japoneses anunciaram uma descoberta: tsunamis geram campos magnéticos que podem ser detectados alguns minutos antes das mudanças do nível do mar. Com o avanço desse estudo e a ampliação do monitoramento, os alertas poderão ser emitidos mais rapidamente, salvando vidas.


Com informações de Flipar